Atitude Eco – Ativismo e sustentabilidade

Ativismo, mobilização, comunicação e sustentabilidade

Conar demonstra sua falta de responsabilidade para lidar com a ética em parecer sobre denúncia feita pelo Instituto Alana

Está rolando na internet uma blogagem coletiva promovida pelo Projeto Criança e Consumo em resposta ao parecer do Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) sobre um caso da anunciante McDonald’s. O post a seguir vai falar sobre regulamentação, responsabilidade, ética e censura. Não vou entrar no mérito da propaganda veiculada e tão pouco na questão da infância e consumismo.

Para quem não sabe, o Conar é, grosso modo, uma instituição formada por profissionais da publicidade que visa estabelecer padrões de ética e responsabilidade para o próprio setor publicitário. O post que a @samegui fez sobre o assunto fala um pouco mais sobre a criação dessa instituição e cita um trecho que também cabe ao meu post:

“O Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária nasceu de uma ameaça ao setor: no final dos anos 70, o governo federal pensava em sancionar uma lei criando uma espécie de censura prévia à propaganda.”

Nasci no ano de 86 e não vivenciei a ditadura como meus pais e amigos mais velhos, mas tenho contato diário com os resquícios dessa época, seja na forma “Bolsonaro” de ver a vida, seja na fobia de qualquer coisa que aparente tolher a liberdade de expressão. No post “O brasileiro não sabe o que fazer com a democracia” falo sobre a marcha da maconha e cito a frase “Ei polícia, maconha é uma delícia” para defender que existe uma grande diferença entre liberdade de expressão e apologia, da mesma forma, é diferente regulamentar e censurar.

Ao contrário do que pensam as cabeças que não pensam, liberdade de expressão tem limites, e é regulamentada para que não se instaure o mau uso da comunicação. Podemos chamar isso de censura? Sim. Você não pode caluniar, injuriar ou difamar as pessoas, e isso também pode ser considerado censura. Você não pode sair pregando ideologias que promovam o ódio aos negros e homossexuais, essa censura está prevista em lei, ainda bem.

Além da liberdade de expressão, também temos a liberdade de expressão comercial, ou seja, aquela que pretende vender algo que vai além de uma ideologia. Seguem alguns exemplos clássicos de propaganda de cigarros que apelam para o conceito de que esse produto é algo saudável e recomendado por médicos e até crianças. Se tomarmos por base uma liberdade de expressão sem regulamentação, essas publicidades seriam veiculadas até os dias de hoje.

campanhas cigarro americanas

"Os médicos fumam mais Camel do que outros cigarros"

campanha cigarro

"Como seu dentista, eu recomendaria Viceroys"

campanha cigarro

"Mamãe, antes de me dar bronca... você deveria acender um Marlboro"

Esses anúncios são americanos e datam de algumas dezenas de anos atrás. Como você puderam notar, essas propagandas abusam da falta de informação das pessoas para vender um produto, apresentando o cigarro como algo que é recomendado por médicos e dentistas. Naquela época, fazer propaganda de cigarro relacionando saúde e bem estar era normal e aceito. Hoje, com a comprovação dos males que esses produtos causam, os comerciais das empresas de cigarros foram severamente censurados, e isso é algo muito bom.

Quando falamos de uma propaganda ou comercial que impacta milhões de pessoas o assunto deve ser tratado com uma cautela diferenciada. Se a publicidade não influenciasse com tanta efetividade o comportamento das pessoas, ela não seria tão utilizada pelas marcas, o que demonstra a atenção que devemos dar para as coisas que estão sendo veiculadas. Dessa forma, a regulamentação da comunicação publicitária deve ser feita por uma instituição que represente a sociedade e suas necessidades. O Conar, ao contrário da afirmação anterior, representa o setor publicitário e atende as necessidades dos diversos “membros” relacionados, deixando para a sociedade o papel de  mero “target“, como diriam meus companheiros de profissão.

Além da representatividade distorcida dessa instituição, ao ler o parecer do relator Enio Basílio Rodrigues sobre o caso do McDonald’s tive a oportunidade de conhecer a profunda responsabilidade e ética infantilidade com que seus funcionários trabalham. Tenho certeza de que a ironia agressiva e provocativa do parecer corresponde ao nível de seriedade com que esses profissionais engravatados trabalham. Deixo que vocês leiam alguns trechos do que escreveu V. Ex.ª Enio Rodrigues, que é um relator tão dedicado à responsabilidade e ética na comunicação.

parecer conar publicidade instituto alanaMesmo tendo um espaço de denúncias aberto à sociedade, o Conar ironiza e tira sarro do denunciante, o Instituto Alana. Ética? A gente vê por aqui.

parecer conar publicidade instituto alana“bruxa com dentes ponteagudos”, “coisas marrons e verdolengas”. O que era para ser um parecer sobre uma publicidade se tornou uma forma agressiva de diminuir o trabalho de um Instituto que existe há mais de dez anos.

parecer conar publicidade instituto alanaEssa é a verdadeira pérola do Sr. Enio. A base alimentar dos americanos foi a responsável (quem come fast food é mais capaz?) por produzir os melhores bla bla bla FUZILEIROS NAVAIS. HAHAHAHAHAHAHA Não pude me conter.

parecer conar publicidade instituto alanaCrianças foram feitas para azucrinar… Ok.

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4 Responses to Conar demonstra sua falta de responsabilidade para lidar com a ética em parecer sobre denúncia feita pelo Instituto Alana

  1. Pingback: Reaberto o caso McDonald’s – crianças e consumo | Parem o Mundo

  2. alicemiller July 21, 2011 at 1:11 am

    Meldels…
    Isso assusta! :-O

  3. Pingback: consumismo e infância - Leiam os posts da nossa blogagem coletiva

  4. Pingback: Conar e Abap querem falar sobre responsabilidade e liberdade de expressão, mas teto de vidro dificulta o discurso das entidades. « Atitude Eco Atitude

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