Atitude Eco – Ativismo e sustentabilidade

Ativismo, mobilização, comunicação e sustentabilidade

Projeto Cidade para Pessoas vai visitar 12 cidades exemplares

cidades para pessoasO projeto Cidades para Pessoas foi idealizado pela jornalista Natália Garcia e financiado por meio da plataforma de crowdfunding Catarse por mais de 250 pessoas que acreditaram que essa ideia merecia ser colocada em prática. O objetivo do projeto é visitar, durante um ano, doze cidades que foram planejadas ou tiveram a consultoria do arquiteto Jah Gehl - ou que sejam consideradas por ele um importante exemplo de “cidades para pessoas” – para entender na prática como é o dia a dia de um morador desses locais.

O próprio Jah Gehl exemplificou muito bem como esse projeto colabora com as mudanças na frase: “quando você pergunta a uma criança o que ela quer no próximo natal, ela vai te responder com uma lista de objetos que ela conhece. Uma criança nunca vai querer algo que não conheca, certo? O mesmo se dá com as cidades. As pessoas só vão exigir cidades melhores de fato quando elas souberem COMO e o QUÃO melhores as cidades podem ser.

Natália Garcia Cidades para PessoasNatália Garcia tem 27 anos e é jornalista desde 2006 pela Faculdade Cásper Líbero de São Paulo. Trabalhou na rádio Band News FM e na Editora Abril, mas largou seus empregos para ser reporter freelancer e pedalar pela cidade em suas horas livres. Morou um mês em Bogotá, capital da Colômbia, para percorrer os 330 quilômetros de ciclovias da cidade e apurar a revolução vivida por lá nos últimos 15 anos, após as gestões dos ex-prefeitos Antanas Mockus e Enrique Peñalosa. Participou do projeto !sso não é Normal, um site sobre a relação entre o modelo urbano de algumas cidades brasileiras e as mudançås climáticas, que ganhou o prêmio Jornalistas e Cia / HSBC de Imprensa e Sustentabilidade, na categoria Mídia Nacional. Criou o projeto Cidades para Pessoas e vai passar um ano viajando por 12 cidades do mundo (e morando por um mês em cada uma delas) em busca de boas ideias que melhorem as cidades para as pessoas.

1.       Natália, o projeto Cidades para Pessoas é sensacional. Você poderia nos contar como e quando você decidiu investir nas pedaladas e como isso afetou sua vida?

Um dia, lá para abril/ maio de 2008, eu estava no meu carro na avenida paulista tentando voltar para casa. Eu já tinha Enfrentando mais de uma hora de trânsito. A avenida estava completamente parada e tinha uma turma lá perto da consolação de bicicleta distribuindo folhetos. Até então, aos 24 anos, eu nunca tinha cogitado a possibilidade de me locomover de bicicleta. Mas depois desse dia, vendo que a turma da bike disparou na minha frente e eu continuei parada no trânsito, essa passou a ser uma possibilidade que considerei mais a sério. No final do ano (de 2008), depois de muito pesquisar e ler sobre o assunto, decidi comprar uma bicicleta dobrável. No dia em que a comprei não me continha de tanta empolgação. Decidi criar um blog pra contar minhas experiências de ciclista pelas ruas de São Paulo. Meu primeiro texto foi sobre a primeira vez em que subi na bicicleta dobrável (veja aqui: http://urbike.wordpress.com/2009/01/06/primeiro-passo/) e logo depois escrevi outro sobre a experiência de conhecer duas meninas de rua enquanto pedalava (aqui: http://urbike.wordpress.com/2009/01/27/role-de-refem/). Mas no geral, posso dizer que, de um lado, eu estava encantada com a possibilidade de avistar uma feira, parar para tomar um caldo de cana, e seguir. Conhecer gente nova o tempo todo, olhar nos olhos das pessoas, apreciar a vista, me exercitar, cortar caminho, furar o trânsito… tudo isso era uma delícia. Mas, por outro lado, era e ainda é muito perigoso. Até hj pedalar pelas ruas de São Paulo me dá um certo medo. Claro que fui aprendendo como me portar no trânsito, sinalizar o que vou fazer, que avenidas evitar, caminhos por dentro de bairros… aliás, aprender a cortar caminho por dentro dos bairros foi uma delícia… Mas a melhor das coisas foi sentir que, em vez de me proteger da cidade, eu passei a ocupá-la.

2.       No site você explica que a ideia foi inspirada em um arquiteto urbanista chamado Jan Gehl. Você fez uma entrevista com ele quando esteve em Copenhague, certo? Poderia nos dizer quais foram os melhores momentos da conversa?

A entrevista pode ser lida na íntegra aqui: http://vidasimples.abril.com.br/edicoes/107/conversa/especialista-criar-cidades-melhores-632294.shtml. Para mim o ponto mais alto é ele dizendo que sabemos tudo sobre o habitat ideal de todas as espécies animais do mundo (gorilas, chimpanzés, girafas…), menos do homo sapiens!!! E não há ninguém pesquisando esse assunto. Criar o melhor lugar possível para o homem viver não é a prioridade das pessoas que planejam as cidades. E isso é um erro.

3.       Você já passou por Curitiba, Copenhague, Amsterdã e agora está em Paris. As cidades são próximas do que você esperava ou tem tido supresas? Se houveram supresas, foram positivas ou negativas?

Copenhague superou MUITO minhas expectativas. Em primeiro lugar, a água dos canais é tão limpa que é possível NADAR nela. Tinha uma piscina pública em um canal pertinho do albergue onde eu fiquei. Todos os dias eu acordava e nadava lá antes de começar a trabalhar. A infra estrutura das bicicletas, que eu já sabia que era excelente, também me impressionou bastante. Há semáforo exclusivos para as bikes que as priorizam no trânsito. Há a chamada “onda verde”: se vc pedalar a 20 km/h vai pegar todos os faróis verdes. A prefeitura quer garantir que esse continue a ser o melhor meio de se locomover pela cidade. Amsterdam é encantadora. Também tem uma excelente infra para bikes. Mas lá o que mais me impressionou foi a arquitetura medieval dos canais. A relação deles com água é bem diferente da nossa porque além de eles precisarem usar as vias fluviais para transporte na idade média, eles estão abaixo do nível do mar e precisam manter canais na superfície que dêem vazão para a água impedindo alagamentos. Foi muito inspirador conhecer as soluções deles e entender como elas poderiam melhorar a relação que temos, no Brasil, com a água. Em Paris o que mais me chamou atenção até agora foram as Paris Plages, praias artificiais montadas à beira do rio Sena para que os franceses aproveitassem o verão. Isso me faz muito pensar em todas as vezes que saí em São Paulo e pensei “que calor infernal…” Na verdade o calor só é infernal porque não há nenhum espaço público na cidade onde eu possa CURTIR o calor. Um bom planejamento urbano que leva em conta o clima e tira partido dele para criar cidades mais gostosas de se viver é algo longe de nossa realidade. Mas, acredito, possível.

4.       Para finalizar, como nós podemos ajudar o projeto Cidade para Pessoas?

Olha, só de ter gente boa por perto participando, de alguma forma do projeto, ainda que apenas divulgando, já é uma bela de uma ajuda. O mais importante, para mim, é levantar discussões importantes para melhorar nossas cidades que me parecem abafadas… é melhorar o repertório geral sobre o assunto… é inspirar boas medidas de política pública… por isso é que agradeço muito o interesse da revista no projeto e espero ter ajudado com essas respostas… :)

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2 Responses to Projeto Cidade para Pessoas vai visitar 12 cidades exemplares

  1. Pingback: 5 lições de Copenhague para São Paulo | Coletivo Verde - Produtos Ecológicos

  2. Pingback: Vídeo ensina 5 lições que São Paulo pode aprender com Copenhague | Coletivo Verde - Produtos Ecológicos

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