Atitude Eco – Ativismo e sustentabilidade

Ativismo, mobilização, comunicação e sustentabilidade

Uma praça sem bancos, uma Bolívia sem estradas, um Brasil sem energia

belo monte diga não

Obs: Este texto pode e deve ser adaptado para realidades como a de Belo Monte e a estrada que está paralisada na Bolívia. É um exercício de reflexão que leva tempo, mas vale a pena.

Há menos de dois anos atrás o município de Rio Claro ganhou uma nova praça. Ela está muito bem localizada, ao lado de uma escola pública e do principal shopping da cidade, na intersecção entre um bairro residencial e o centro comercial da cidade. A praça é pequena e têm poucas árvores, mas é um espaço de convivência que devemos comemorar.

Quando a prefeitura deu inicio às obras, um grupo de senhoras vizinhas ao local tratou de se mobilizar para exigir algo… estranho. A praça não deveria ter bancos. Segundo as moradoras do local, se a praça tivesse bancos ela se tornaria um local propício para usuários de droga, o que tornaria a região um local perigoso. A prefeitura acatou e a praça não têm um mísero banco, apenas um gramado onde as pessoas esticam suas toalhas e usufruem do espaço verde bem localizado.

Este fato que aconteceu no interior de São Paulo me deixou intrigado. Os bancos seriam os responsáveis por atrair usuários de drogas? Praças que têm bancos são majoritariamente habitadas por usuários de droga? Fiquei pensando na real utilidade de uma praça. Este não deveria ser um local de convivência social?

A região que ganhou a praça deveria, em tese, estar feliz com o novo espaço de convivência pública. Mas o projeto não foi recebido com louvor. Como um projeto tão benéfico pôde obter tanta resistência e medo? A resposta não é simples, mas tem base no fato de que a estrutura social não funciona. Como assim? Explico:

O uso de drogas é advindo de um problema de estrutura social, e conta com um sistema educacional falho, um sistema familiar desestruturado, segurança pública despreparada e uma política anti-drogas inexistente. Os bancos da praça são meros bancos de praça. Quem não tem banco senta no chão. Ou você vai dizer que alguém que está usando droga em praça pública está preocupada com o assento ideal?

O empreendimento “praça pública” não trouxe aquilo que é sua proposta: Melhora na qualidade de vida da região. Para piorar, se tornou um local avesso à humanos que queiram sentar, tal qual as próprias senhoras moradoras da região. Desta forma, as pessoas “de bem” ficam cada vez mais afastadas e dão espaço para a “ocupação marginal”. (Com grandes parenteses para demonstrar que não concordo com as definições utilizadas)

Penso que, se esta praça fosse parte de um plano de melhora da qualidade de vida local, ela seria muito bem recebida e teria diversos bancos, inclusive bebedouros. A praça seria utilizada por crianças, famílias e idosos. Inclusive os adolescentes “usuários” de vestimentas estranhas iriam conviver pacificamente no local.

O que faltou para esta realidade acontecer? Objetivo. O principal objetivo de se construir uma praça não é a praça em si, mas a melhora da qualidade de vida. Como esta praça vai oferecer melhora da qualidade de vida sem que possamos utilizá-la… Não sei.

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One Response to Uma praça sem bancos, uma Bolívia sem estradas, um Brasil sem energia

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