Atitude Eco – Ativismo e sustentabilidade

Ativismo, mobilização, comunicação e sustentabilidade

Tag Archives: agrotóxico

Abaixo assinado pela proteção dos polinizadores

Abelha PolinizadoraEm setembro de 2010 fiz um post sobre a Crise alimentar e os polinizadores, texto esse que me tomou mais de dois meses de pesquisa em vários sites e com profissionais da área.

Esse é um assunto que tem ganhado espaço na mídia tradicional e também nos blogs, mas ainda vejo pouco movimento em relação a um assunto tão importante. Quem ler o artigo que escrevi vai entender a gravidade da situação.

Agora saiu na internet, por meio do Avaaz.org, um abaixo assinado que pede o banimento de um tipo específico de agrotóxico nas regiões do EUA e União Européia.

Segue a versão integral do email que recebi:

“Caros amigos,

Silenciosamente, bilhões de abelhas estão morrendo, colocando toda a nossa cadeia alimentar em perigo. Abelhas não fazem apenas mel, elas são uma força de trabalho gigante e humilde, polinizando 90% das plantas que produzimos.

Vários estudos científicos mencionam um tipo de agrotóxico que contribui para o extermínio das abelhas. Em quatro países Europeus que baniram estes produtos, a população de abelhas já está se recuperando. Mas empresas químicas poderosas estão fazendo um lobby pesado para continuar vendendo estes venenos. A única maneira de salvar as abelhas é pressionar os EUA e a União Europeia para eles aderirem à proibição destes produto letais – esta ação é fundamental e terá um efeito dominó no resto do mundo.

Não temos tempo a perder – o debate sobre o que fazer está esquentando. Não se trata apenas de salvar as abelhas, mas de uma questão de sobrevivência. Vamos gerar um zumbido global gigante de apelo à UE e aos EUA para proibir estes produtos letais e salvar as nossas abelhas e os nossos alimentos. Assine a petição de emergência agora, envie-a para todo mundo, nós a entregaremos aos governantes responsáveis:


https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

As abelhas são vitais para a vida na Terra – a cada ano elas polinizam plantas e plantações com um valor estimado em US$40 bilhões, mais de um terço da produção de alimentos em muitos países. Sem ações imediatas para salvar as abelhas, poderíamos acabar sem frutos, legumes, nozes, óleos e algodão.

Nos últimos anos, temos visto um declínio acentuado e preocupante a nível global das populações de abelhas – algumas espécies de abelhas estão extintas e outras chegaram a 4% da população no passado. Cientistas vêm lutando para obter respostas. Alguns estudos afirmam que o declínio pode ser devido a uma combinação de fatores, incluindo doenças, perda de habitat e utilização de produtos químicos tóxicos. Mas um importante estudo independente recente produziu evidências fortes culpando os agrotóxicos neonicotinóides. A França, Itália, Eslovênia, e até a Alemanha, sede do maior produtor do agrotóxico, a Bayer, baniram alguns destes produtos que matam abelhas. Porém, enquanto isto, a Bayer continua a exportar o seu veneno para o mundo inteiro.

Este debate está esquentando a medida que novos estudos confirmam a dimensão do problema. Se conseguirmos que os governantes europeus e dos EUA assumam medidas, outros países seguirão o exemplo. Não vai ser fácil. Um documento vazado mostra que a Agência de Proteção Ambiental dos EUA já sabia sobre os perigos do agrotóxico, mas os ignorou. O documento diz que o produto da Bayer é “altamente tóxico” e representa um “grande risco para os insetos não-alvo (abelhas)”.

Temos de fazer ouvir as nossas vozes para combater a influência da Bayer sobre governantes e cientistas, tanto nos EUA quanto na UE, onde eles financiam pesquisas e participam de conselhos de políticas agrícolas. Os reais peritos – apicultores e agricultores – querem que estes agrotóxicos letais sejam proibidos, a não ser que hajam evidências sólidas comprovando que eles são seguros. Vamos apoiá-los agora. Assine a petição abaixo e, em seguida, encaminhe este alerta:


https://secure.avaaz.org/po/save_the_bees/?vl

Não podemos mais deixar a nossa cadeia alimentar delicada nas mãos de pesquisas patrocinadas por empresas químicas e os legisladores que eles pagam. Proibir este agrotóxico é um caminho necessário para um mundo mais seguro tanto para nós quanto para as outras espécies com as quais nos preocupamos e que dependem de nós.

Controle e regulamentação do uso de agrotóxicos

Em entrevista para Silvio Caccia Bava, editor do Le Monde Diplomatique Brasil, o diretor da Anvisa, Agenor Álvares, afirma que o Brasil está passando por um momento de trasição no controle e regulamentação do uso de agrotóxicos: “Nós interditamos linha de produção na BASF, na Bayer e na Syngenta, que são as três maiores do mundo”, afirma. Obviamente, essa é uma mudança que não agrada a todos.

A entrevista é longa e postarei apenas as partes que eu acredito que são importantes. Para acessar a entrevista toda, acesse o site do Diplomatique.

Le Monde Diplomatique Brasil: A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vai efetivar a proibição de 14 agrotóxicos já comercializados?
Agenor Álvares: A Anvisa não colocou em lugar nenhum que ia proibir os produtos. O que a Anvisa está fazendo, inclusive regulamentada por uma resolução da diretoria colegiada, é a reavaliação de 14 produtos.

Diplomatique: Tem uma petição ao Ministério Público que foi feita há algum tempo pelo Adão Pretto e pelo Miguel Rossetto denunciando que morrem 5 mil trabalhadores rurais por ano em função da contaminação com os agrotóxicos. E as próprias pesquisas que o Idec acompanhou mostram uma contaminação grave dos alimentos com esses materiais químicos. Isso não exigiria uma medida imediata, mais radical?
Álvares: Eu não conheço essas avaliações às quais você se referiu. Nós temos aqui na Anvisa um programa chamado PARA (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos), que avalia em torno de 20 culturas em todo o país. As secretarias estaduais de saúde colhem o produto e mandam pelos Correios para os laboratórios credenciados para que eles façam a avaliação. Temos tido surpresas desagradáveis com a utilização de agrotóxicos que não são destinados a determinadas culturas, ou acima do permitido, e inclusive a utilização de agrotóxicos que já foram banidos do país, que estão entrando de forma clandestina.

Diplomatique: Qual é a capacidade da Anvisa de fiscalizar isso?
Álvares: Dependendo do tipo de produto nós informamos para o órgão de fiscalização e controle, que é o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Agora, quando é um produto clandestino, que entra por contrabando, nós comunicamos à Polícia Federal, que é uma parceira de primeira hora. Inclusive fazemos diligências junto com eles para verificar denúncias e coibir o contrabando. No ano passado fizemos uma em Luis Eduardo Magalhães (BA), onde foi apreendido um número significativo de produtos contrabandeados. A Anvisa foi junto para ver se aquele produto era indicado para aquela cultura, se tinha autorização de comercialização, se estava registrado.

Diplomatique: Há punições a respeito disso?
Álvares: Claro, as pessoas foram presas. O mesmo ocorre quando fazemos a apreensão de um medicamento falsificado. É a mesma ação. Temos uma área de segurança institucional que conta com a PF de cada região para nos apoiar.

Diplomatique: Levando para um cenário mais amplo, já existem iniciativas da Comunidade Europeia, da Índia, da África, da Argentina, banindo, por exemplo, o endossulfan. Como continuamos permitindo isso aqui?
Álvares: Ele está em fase final de avaliação aqui. Ele inclusive deve ser banido em âmbito mundial no ano que vem.

Diplomatique: Mas aí não se justificaria, da parte de outros países, terem banido esses agrotóxicos antes de nós.
Álvares: Não justificaria. Muitas vezes os agrotóxicos que estamos reavaliando podem não ser aqueles que detectamos em excesso em algumas culturas. Por exemplo, o endossulfan que você citou. Tem um único país que tem uma fábrica: a Índia. E o embaixador da Índia está aqui fazendo pressão para não tirarmos ele, trazendo regras da OMC. Você sabe quem é o dono da marca? A Bayer. Ela produz na Alemanha? Claro que não. Ela tirou a fábrica dela da Alemanha e botou na Índia, e dali manda para o mundo inteiro.

Diplomatique: Temos relatos de estados como o Piauí, onde houve pulverizações por avião que fizeram secar plantações, árvores frutíferas, legumes. E há denúncias de que morreu gente. Isso não é o caso de uma ação de emergência?
Álvares: Claro que é. Mas a Anvisa fica tolhida nisso porque nós temos que atuar juntamente com o Ibama e com o Ministério da Agricultura.

Diplomatique: Nosso Ministério da Agricultura está dizendo que a Anvisa não deve mais fazer o que ela faz…
Álvares: É verdade. Inclusive nós temos notícia de uma portaria ministerial retirando da Anvisa essa competência. Mas isso é inócuo. Como uma portaria de ministro pode ter validade maior que a lei? Não pode, isso é bobagem. Eu recebi só a cópia da proposta. Nosso pessoal está fazendo uma análise, mas eu já digo que isso para nós não tem o menor significado.

Diplomatique: Eu vou insistir em uma coisa que me parece importante. Tem um documento do IDEC de 2003 em que de 1.278 amostras analisadas de diversos alimentos, 81% estavam contaminadas com resíduos de agrotóxicos, um grande número ultrapassava os limites máximos da legislação. Isso é de uma gravidade enorme.
Álvares: Muitas vezes a mesma cultura, quando vai para fora, não tem resíduo nenhum. As frutas para exportação, muitas delas estão limpinhas e entram tranquilo. Por exemplo, nós temos um produto que nós banimos em comum acordo entre a Anvisa, o MAPA e o Ibama, a ciexatina, que os Estados Unidos, a Europa e o Japão não aceitam. Ou seja, o produtor que vai produzir para exportar vai colocar isso na fruta dele? Claro que não.

Diplomatique: Tem uma estudiosa que diz que no fundo, com as proibições dos Estados Unidos e da União Europeia, essas transnacionais acabaram despejando todo o seu lixo no Brasil.
Álvares: É verdade. Nós não podemos aceitar que o Brasil seja transformado em um lixão do mundo. Em hipótese alguma. E isso pode estar acontecendo com alguns produtos, mas em breve isso não vai mais acontecer. Nós precisamos tomar todos os cuidados e também contar com a adesão de toda a sociedade civil brasileira. O Idec é um grande parceiro. Universidades, associações de produtores, alguns movimentos campesinos, todos apoiam nossa proposta. E agora temos setores da Câmara e do Senado completamente diferentes do que eram há cinco anos. Não houve pressões parlamentares sobre a Anvisa em relação às fiscalizações e nem às interdições das linhas de produção.

Diplomatique: Quais foram as empresas que sofreram interrupções?
Álvares: Nós interditamos linha de produção na BASF, na Bayer, na Syngenta, que são as três maiores do mundo; na Milenia, que é a sétima maior do mundo; na Nufarm, que é quarta maior do mundo; e na Iharabras. Em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Ceará. Isso foi de julho do ano passado até março de 2010. Nós fizemos inspeção em 7 indústrias. Tinha empresa que chegou ao cúmulo de colocar substância para perfumar o agrotóxico. Tivemos que interditar os produtos.

Diplomatique: No Pantanal há grandes plantações de soja que têm uso de agrotóxico aplicado por avião. Os ribeirinhos contam que, quando chove, esses produtos escorrem para os rios, justamente nas cabeceiras onde há reprodução dos peixes a partir da pororoca. Isso está acabando com o Pantanal.
Álvares: Esse é um grande dilema do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente. Por isso que nós queremos, como uma política de governo, ter uma atuação muito próxima e conjunta. É uma política de governo que cuida principalmente do ambiente, da saúde humana, sem perder a perspectiva da eficiência agronômica, mas também sem colocar em primeiro lugar os aspectos comerciais e econômicos. O aspecto principal do Estado regulador é estabelecer regras claras e ser transparente para o setor regulado e para a sociedade que vai consumir. Isso é o papel do Estado regulador. E qual é a responsabilidade da empresa? É cumprir aquilo que ela acordou com o governo. Parte-se de um acordo que a gente faz. A responsabilidade social é que ela tem que cumprir aquele acordo, sem ver como mais importante o aspecto econômico da empresa e o acionista. Isso seria irresponsabilidade social.

Crise alimentar e serviços ambientais – O caso dos polinizadores

Escutamos diariamente pessoas falando sobre biodiversidade, equilíbrio ecológico, e até do suposto “efeito borboleta”, e não nos damos conta da profundidade e complexidade dessas questões. Independente dos motivos desse descaso, o importante é atentar para cada pequeno detalhe, inseto, animal, planta, molécula, átomo! Pode não parecer, mais nosso ecossistema é frágil e está em constante mutação, qualquer descuido é capaz de provocar grandes mudanças. Esse é o efeito borboleta.

Ao todo são 37 países que sofrem de crise alimentar e os preços dos alimentos não param de subir. Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), 1,5 milhão de crianças morrem todos os anos vítimas de desnutrição, e o Programa Mundial de Alimentos afirma que se essa tendência continuar teremos um aumento de alguns milhões de pessoas passando fome.

O Censo Agropecuário de 2006 apontou que a agricultura familiar, responsável pela maior parte da produção de alimentos, tem sido suprimida pelos grandes latifúndios produtores de commodities. Mas uma crise nunca está vinculada a apenas um fator. São diversas variáveis que juntas contribuem para que todo o sistema entre em declínio, fatores como a demanda conflitante biocombustível/alimentação, o aumento da temperatura global, e principalmente, o desequilíbrio dos serviços ecológicos, tais como polinizadores, ciclos hidrológicos, composição e formação do solo, ciclagem de nutrientes, etc… Todos esses fatores devem ser analisados de forma conjunta, a fim de se construir uma análise holística que venha a esclarecer a situação em que a terra se encontra.

abelha africanizada (Apis mellifera)

abelha africanizada (Apis mellifera)

Na década de 70, apicultores americanos começaram a perceber que suas colméias estavam desaparecendo, dados recentes apontam perdas de até 60% na população de abelhas. Desde então esses fatores tem sido observados de perto por pesquisadores do mundo todo, apresentando dados alarmantes que tem sido publicados e disseminados pela comunidade científica. A ação desses insetos está diretamente ligada à produção de alimentos, tanto que economistas e ecologistas calculam que a contribuição dos polinizadores silvestres para a agricultura dos Estados Unidos chegue a US$ 6 bilhões/ano, uma quantia mais do que significativa para um ativo de investimento zero.  Abelhas manejadas (criadas em cativeiro) somam outros US$18 bilhões/ano.

Para se ter uma idéia do que esses pequenos insetos representam na nossa vida, um estudo apresentado pela Academic Press de Nova York aponta que polinizadores são responsáveis por 85% da produção de alimentos como frutas, vegetais e legumes. O restante da polinização é feito por outros animais, ventos, manipulação ou por propagação. Os produtores tem se tornado cada vez mais dependentes dos polinizadores manejados como a abelha africanizada (Apis mellifera).

(Foto H.R. HeilmannDivulgação)

(Foto H.R. Heilmann)

Esse serviço é tão único e indispensável que é possível diferenciar as plantações e os alimentos que foram polinizados de forma natural devido a maior produtividade por hectare e a características de qualidade como: tamanho, cor e formato. Além disso, é financeiramente inviável e praticamente incabível que esse trabalho seja inteiramente feito a partir da manipulação do pólen pela mão de obra humana. O homem pode até copiar, mas quem possui a fórmula é a natureza.

Existem muitas suposições e conjeturas sobre as possíveis ameaças que tem determinado o declínio da população desses insetos. Fatores como a densidade das populações urbanas, fragmentação do campo, aquecimento global, excesso de agrotóxicos nas plantações e até extração ilegal de mel são citados por diversas fontes.

Um desses em especial tem chamado a atenção da comunidade científica. Existem diversas causas para o desaparecimento das abelhas. Algumas delas estão ligadas a doenças causadas por microorganismos e parasitas, como ácaros. Outra certamente está relacionada ao uso de determinados tipos de agrotóxicos utilizados em larga escala na agricultura. Só na região central do Estado de São Paulo, nos últimos três anos, mais de seis mil colméias de abelhas africanizadas foram mortas pelos inseticidas. Aqui não estão incluídas outras abelhas selvagens e outros insetos importantes para manutenção da biodiversidade.

Rainha e operárias

Rainha e operárias

É importante ressaltar que os testes de agrotóxicos só levam em conta a morte causada pelo dano direto e, existem pesticidas que, em doses subletais, podem provocar mudanças no comportamento, tais como comunicação, formação, orientação e nascimento de abelhas, fatores que são indispensáveis para a boa saúde de uma colméia.

Dessa forma, a pouca informação e o descaso a respeito desses pequenos insetos estão determinando o agravamento da crise alimentar. Ações no âmbito internacional estão sendo tomadas com o intuito de estimular a criação de abelhas sem ferrão (links), mas essas atitudes ainda são uma pequena parte do que pode e precisa ser feito.

Bibliografia:
1.       Allsopp MH, de Lange WJ, Veldtman R (2008) – Valuing Insect Pollination Services with Cost of Replacement. PLoS ONE 3(9): e3128. doi:10.1371/journal.pone.0003128 Richards KW (1993) Non-Apis bees as crop pollinators. Rev Suisse Zool 100:807–822.
2.       Williams IH (1996) Aspects of bee diversity and crop pollination in the European Union. In: Matheson A, Buchmann SL, O’Toole C, Westrich P, Williams IH, eds. The Conservation of Bees. New York: Academic Press. pp 63–80.
3.       Richards AJ (2001) Does low biodiversity resulting from modern agricultural practice affect crop pollination and yield? Annals Bot 88: 165–172.
4.       Klein A-M, Vaissie`re BE, Cane JH, Steffan-Dewenter I, Cunningham SA, et al. (2007) Importance of pollinators in changing landscapes for world crops. Proc R Soc Lon B Biol Sci 274: 303–313.
5.       Free JB (1993) Insect pollination of crops. London: Academic Press. 768 p.
6.       Ghazoul J (2005) Buzziness as usual? Questioning the global pollination crisis. Trends Ecol Evol 20: 367–373.
7.        Malaspina O, Novelli  RCF, Silva Zacarin ECM, Souza, TF (2010) Defesa de apiários e meliponários contra agrotóxicos.  18° Congresso Brasileiro de Apicultura, Cuiaba, MT. 5p, CD.
8.       McGregor S (1976) Insect pollination of cultivated crop plants. Washington (DC): US Department of Agriculture, Agriculture Handbook 496. 411 p.
9.       Morse RA, Calderone NW (2000) The value of honey bees as pollinators of U.S. crops in 2000. Bee Cult 128: 1–15.
10.  
http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=46386&edt
= (15/08/2010)
11.  
http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=73914&edt
= (15/08/2010)
12.  
http://www.envolverde.com.br/materia.php?cod=77159&edt=#
(15/08/2010)
13.  
http://www.oeco.com.br/marc-dourojeanni/16433-oeco27156
(9/9/2010)
14.  
http://www.pollinator.org
(9/9/2010)
15.  
http://www.xerces.org/bumblebees/
(9/9/2010)
16.  
http://www.teebweb.org/
(9/9/2010)
17.  
http://www.nwf.org/
(9/9/2010)
18.  
http://www.pollinationcanada.ca/
(9/9/2010)
19.  
http://www.economiadoclima.org.br/site/
(9/9/2010)
20.  
http://people.virginia.edu/~thr8z/Bee_Diversity/Blandy_Bee_Diversity.php
(9/9/2010)
21.  
http://www.xerces.org/educational-resources/
(9/9/2010)
22.  
http://research.amnh.org/iz/beecourse/
(9/9/2010)
23.  
http://www.silive.com/eastshore/index.ssf/2009/07/busy_watching_bees_in_her_back.html
(9/9/2010)

Brasil se torna o principal destino de agrotóxicos banidos no exterior

Fonte: Lígia Formenti – O Estado de S.Paulo

Campeão mundial de uso de agrotóxicos, o Brasil se tornou nos últimos anos o principal destino de produtos banidos em outros países. Nas lavouras brasileiras são usados pelo menos dez produtos proscritos na União Europeia (UE), Estados Unidos e um deles até no Paraguai.

A informação é da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), com base em dados das Nações Unidas (ONU) e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Apesar de prevista na legislação, o governo não leva adiante com rapidez a reavaliação desses produtos, etapa indispensável para restringir o uso ou retirá-los do mercado. Desde que, em 2000, foi criado na Anvisa o sistema de avaliação, quatro substâncias foram banidas. Em 2008, nova lista de reavaliação foi feita, mas, por divergências no governo, pressões políticas e ações na Justiça, pouco se avançou.

Até agora, dos 14 produtos que deveriam ser submetidos à avaliação, só houve uma decisão: a cihexatina, empregada na citrocultura, será banida a partir de 2011. Até lá, seu uso é permitido só no Estado de São Paulo.

Da lista de 2008, três produtos aguardam análise de comissão tripartite – formada pelo Istituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), Ministério da Agricultura (Mapa) e Anvisa – para serem proibidos: acefato, metamidofós e endossulfam. Um item, o triclorfom, teve o pedido de cancelamento feito pelo produtor. Outro produto, o fosmete, terá o registro mantido, mas mediante restrições e cuidados adicionais.

Enquanto as decisões são proteladas, o uso de agrotóxicos sob suspeita de afetar a saúde aumenta. Um exemplo é o endossulfam, associado a problemas endócrinos. Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que o País importou 1,84 mil tonelada do produto em 2008. Ano passado, saltou para 2,37 mil t.

“Estamos consumindo o lixo que outras nações rejeitam”, resume a coordenadora do Sistema Nacional de Informação Tóxico-Farmacológicas da Fundação Oswaldo Cruz, Rosany Bochner. Proibido na UE, China, Índia e no Paraguai, o metamidofós segue caminho semelhante.

O pesquisador da Fiocruz Marcelo Firpo lembra que esse padrão não é inédito. “Assistimos a fenômeno semelhante com o amianto. Com a redução do mercado internacional, os produtores aumentaram a pressão para aumentar as vendas no Brasil.” As táticas usadas são várias. “Pagamos por isso um preço invisível, que é o aumento do custo na área de saúde”, completa.

O coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins do Mapa, Luís Rangel, admite que produtos banidos em outros países e candidatos à revisão no Brasil têm aumento anormal de consumo entre produtores daqui. Para tentar contê-lo, deve ser editada uma instrução normativa fixando teto para importação de agrotóxicos sob suspeita. O limite seria criado segundo a média de consumo dos últimos anos. Exceções seriam analisadas caso a caso.

A lentidão na apreciação da lista começou com ações na Justiça, movidas pelas empresas de agrotóxicos e pelo sindicato das indústrias. Em uma delas, foram incluídos documentos em que o próprio Mapa posicionou-se contrariamente à restrição. Só depois que liminares foram suspensas, em 2009, as análises continuaram.

Empresas. Representantes das indústrias criticam o formato da reavaliação. O setor diz não haver critérios para a escolha dos produtos incluídos na lista. E criticam a Anvisa por falta de transparência. Para as indústrias, o material da Anvisa não traz informações técnicas.

A Associação Nacional de Defesa Vegetal critica as listas de riscos ligados ao uso de produtos, muitas vezes baseadas em estudos feitos em laboratório. “Não há como fazer estudos de risco em população expressiva. A cada dia, mais países baseiam suas decisões em estudos feitos em laboratórios”, rebate o gerente-geral de Toxicologia da Anvisa, Luiz Cláudio Meireles.

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 3,700 other followers

%d bloggers like this: