Seguindo a lógica do último post, darei continuidade ao caso de Belo Monte. O Ministério Público do Pará entrou com a 11ª ação civil pública contra a construção da usina e as obras estão paradas. O procurador da república Felício Pontes Jr. é o principal envolvido na defesa dos direitos dos moradores (agricultores e indígenas) e mantém um blog com todo o histórico judicial do caso. É um assunto importantíssimo e todos devem ler a respeito do que esta se passando no caso de Belo Monte.
Acredito que seja imprescindível defender os direitos dos moradores da região, mas o caso de Belo Monte tem centenas de outros motivos para não existir. E a grande maioria dos motivos não são de cunho social e ecológico, são econômicos. Belo Monte é um dos projetos menos eficientes já visto no Brasil, não é atoa que todos os bancos privados recusaram a proposta de financiamento.
Obs: Este texto pode e deve ser adaptado para realidades como a de Belo Monte e a estrada que está paralisada na Bolívia. É um exercício de reflexão que leva tempo, mas vale a pena.
Há menos de dois anos atrás o município de Rio Claro ganhou uma nova praça. Ela está muito bem localizada, ao lado de uma escola pública e do principal shopping da cidade, na intersecção entre um bairro residencial e o centro comercial da cidade. A praça é pequena e têm poucas árvores, mas é um espaço de convivência que devemos comemorar.
Esse texto contem trechos de artigos publicados no site do Greenpeace.
Para quem não conhece a história, Belo Monte é um projeto do PAC que causa discórdia há 20 anos entre os políticos megalomaníacos e os povos moradores dessa região. Esse empreendimento terá custo de quase R$ 4 bilhões, isso sem contar os custos naturais que são inestimáveis. Para Célio Bermann, professor do Programa de Pós-Graduação em Energia da Universidade de São Paulo (USP), o custo real será em torno de R$ 11 bilhões, e define Belo Monte como uma usina cara e inútil, lembra que a Usina Hidrelétrica de Tucuruí tinha um orçamento estimado em US$ 2,1 bilhões, sendo que o seu custo atualizado é de cerca de US$ 7,5 bilhões, sem incluir as linhas de transmissão.
“Belo Monte também é símbolo de uma visão de desenvolvimento defasada”, prossegue Marcelo Furtado, diretor executivo do Greenpeace no Brasil. “Ela não agrega novas tecnologias, não embica o país para o futuro. É uma obra de cimento e aço, típica do século que passou. Além de antiga, Belo Monte vai operar com um alto nível de ineficiência.” Longe dos principais mercados consumidores do país, a energia gerada em Belo Monte terá de ser enviada às regiões Sul e Sudeste do Brasil, produzindo enormes perdas.
A usina foi projetada para gerar 11.233 megawatts, no entanto, dada as condições de cheia e vazante do rio Xingu, o aproveitamento em alguns meses do ano não ultrapassaria os 40% do total instalado. “Embora o governo negue a necessidade de construção de novas barragens, para ampliar esse percentual e tornar o empreendimento economicamente viável, quatro outros barramentos rio acima precisarão ser construídos”, diz Marcelo Salazar, do Instituto Socioambiental.
Um dos pontos principais que eu quero ressaltar aqui é a diferença entre pobreza e humildade. Durante minhas caminhadas pela América do sul, tive a oportunidade de conhecer mais a fundo aquelas pessoas que vivem em regiões distantes dos grandes centros urbanos, populações ribeirinhas e de pequenos aglomerados quase que familiares. Infelizmente, nós que moramos em cidades “bem estruturadas”, temos a triste visão de que as pessoas que estão distante de toda a tecnologia, inovação, educação, são pessoas pobres. Que passam fome e são necessitados. Pois esse pensamento é um equívoco gigantesco. Quem tem um pedaço de terra para plantar, um rio para pescar, uma cultura a respeitar, é HUMILDE. Essas pessoas NÃO passam fome, não são coitadinhas, e tem muita educação. Educação não é apenas saber ler, escrever e fazer contas. É compreensão, respeito, cultura. Os verdadeiros pobres estão nas grandes cidades, pedindo esmola, fumando crack, comendo lixo.
O ponto que quero deixar claro aqui é que: As pessoas que viviam uma vida humilde, plantando e colhendo, deixaram suas terras em busca de um sonho na cidade grande. A grande maioria, sem instrução, se tornou pobre, marginalizado. E é isso que acontece quando você força alguém a trocar seu ambiente natural por um desconhecido. Quanto maior for o estímulo ao êxodo rural, maior será a pobreza, desigualdade social, e conseqüentemente, a violência.
A exibição é uma resposta ao ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, que, em setembro, deu uma declaração sobre a demora da emissão da licença ambiental, dizendo que existem forças demoníacas puxando o país para baixo. Lobão atribuiu ao Ministério Público (MP) e às organizações não-governamentais o papel de “forças ocultas” nesse processo. O filme mostra que, ao contrário do que diz o ministro, nada é oculto.
Se concretizado, Belo Monte será a terceira maior hidrelétrica do mundo e vai causar impacto mais de 9 milhões de hectares de floresta, uma área equivalente a duas vezes a cidade do Rio. Sua construção alagará 51 mil hectares de floresta e estima-se que atrairá para a região mais de 200 mil pessoas, provocando o aumento no desmatamento em diversos municípios da bacia do rio Xingu. “Se Belo Monte for mesmo construída, muitas coisas vão ficar diferentes. O peixe vai desaparecer e vai matar tudo o que a gente tem“, diz o cacique Sadea. “O índio não agüenta comer arroz e feijão, pão e refrigerante todo dia. Ele vive do beiju e do peixe. A minha comunidade não consegue viver sem peixe e o rio Xingu é o que dá peixe para gente”, completa a índia Watalakalu Yawalapiti.
Se você não quer que a marginalidade aumente, pense bem na raiz do problema. Quem é marginalizado nos grandes centros urbanos são aquelas pessoas que deixaram sua terra no norte, nordeste para buscar o sonho de ganhar dinheiro. Publicidade estúpida. O êxodo rural é um verdadeiro vilão da nossa sociedade.
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