Atitude Eco – Ativismo e sustentabilidade

Ativismo, mobilização, comunicação e sustentabilidade

Tag Archives: consumidor

Comentários dos leitores sobre a questão das sacolas plásticas

O post “As sacolas plásticas e os argumentos da indústria contra a nova legislação“, publicado na semana passada teve grande repercussão e diversas pessoas se pronunciaram a respeito do caso nos canais de comunicação do Atitude Eco, principalmente nos grupos de discussão do LinkedIn, onde os comentários foram excelentes. Sendo assim, não posso deixar de publicar as opiniões dos leitores do blog. As reflexões são ótimas.

Os comentários estão em ordem cronológica:

Vagner Nicodemos:

Na minha opinião o governo, supermercados e industria de embalagens não sentaram para conversar sobre o impacto aos consumidores ou seja, porque não oferecer as sacolas biodegradáveis? os supermercados terão caixas para todos? porque o consumidor deve pagar a conta (R$0,19 por sacola) o impacto ao meio ambiente não será reduzido pois agora o lixo terá ser acondicionado em sacos de lixo que não são biodegradáveis (são?)

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As sacolas plásticas e os argumentos da indústria contra a nova legislação

Durante o ano passado, diversos municípios aprovaram leis restritivas com relação ao uso das sacolas plásticas e, mediante a proximidade da data de efetivação destas leis, algumas empresas começaram uma campanha a favor do uso de sacolas plásticas. A reação foi tardia e os argumentos são fracos, mesmo assim vale um esclarecimento sobre possíveis matérias e notícias que venham a surgir por ai.

O primeiro contato que tive com a campanha promovida pelo Instituto Socioambiental dos Plásticos e Associação Brasileira da Indústria de Embalagens Plásticas Flexíveis (Abief) foi uma ação publicitária de 1/4 de página no caderno Mercado da Folha de São Paulo. A publicidade veiculada pode ser vista na imagem abaixo. Como você pode ver, o principal argumento desta peça publicitária é o custo para o consumidor. Há uma menção à questão do impacto ambiental, mas a citação é feita de forma simplista para confundir o leitor.

sacolas plásticas

Akatu vai ajudar em definições para ‘.eco’

Fonte: Valor Econômico

O Instituto Akatu, entidade brasileira ligada à educação do consumo sustentável, uniu-se a onze empresas internacionais para propor à Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann) o uso e a administração do domínio de internet “.eco”.

Helio Mattar, diretor-presidente do Instituto Akatu, diz que a entidade, que atua há dez anos no Brasil, foi procurada pela consultoria americana Big Room, que lidera o processo, para fazer parte de um conselho internacional. Integram o grupo que propõe o novo domínio organizações como World Watch, Green Cross, Conservation International, e o próprio Akatu.

O grupo, liderado pela Big Room, formará um conselho para administrar o domínio. “A ideia é garantir a qualidade dos candidatos que querem ter o ‘.eco’ em seu endereço na internet”, explica Mattar. Caberá ao conselho definir critérios para companhias e entidades, numa tentativa de garantir que os interessados no domínio se comprometam com princípios ligados à sustentabilidade ambiental .

Entre esses critérios está a assinatura de um contrato pelo qual as empresas vão se comprometer a autorizar auditorias para comprovar sua adequação às normas de sustentabilidade.

Segundo Mattar, nomes com “.com” e “.org”, devido ao volume e à falta de controle do uso, perderam a credibilidade. “A proposta do ‘.eco’ é ser administrado por um conselho que poderá resguardar esse mercado de empresas não idôneas”, afirma o executivo.

O grupo definirá um conjunto de critérios que vão nortear a conformidade das empresa às normas de sustentabilidade, que crescerá conforme a evolução da responsabilidade ambiental dos proponentes. “Com a garantia da qualidade das empresas que aderirem ao domínio será possível, por exemplo, nortear o consumidor na escolha de produtos”, diz Mattar.

O conselho vai propor que parte da renda adquirida com o pagamento do domínio “.eco” vá para organizações sem fins lucrativos ligadas à sustentabilidade ambiental. O grupo de empresas espera que a Icann defina o novo guia de domínios até março de 2011. (ALM)

Opinião do blog Atitude Eco:

Minha primeira dúvida quando li esse texto se voltou a falta de credibilidade dos nomes “.com” e “.org”, pois no meu humilde entendimento, os domínios de sites tem utilidade na caracterização da condição jurídica do que está sendo representado em determinado site, característica essa que não tem pretensão de definição e qualificação de qualquer que seja o produto, empresa, ou tema abordado. A idéia de se qualificar empresas por meio de critérios de responsabilidade sócio ambiental já tarda e, se faz necessária, já que temos uma quantidade absurda de empresas praticando o greenwashing.

Uma série de instituições buscam formas de se viabilizar essa qualificação por meio de selos, já que quem conseguir emplacar essa marca terá uma condição de imortalidade bem parecida com a do guerreiro Highlander, e é claro que todos querem seu filão de eternidade econômica.

Me questiono ainda: Sites não estão diretamente ligados ao produtos como as embalagens estão. Faço compras mensalmente e nunca entrei nos sites da minha escova de dentes ou do detergente da cozinha. Então como é possívelnortear o consumidordentro de um supermercado com mais de 40 mil itens? É realmente possível que o consumidor faça essa distinção por meio dessa mudança no domínio? Não creio.

Sem contar que a proposta é totalmente bizarra se analisarmos holisticamente a responsabilidade sócio ambiental, visto que blogs e sites com fins educativos e informativos também deveriam integrar esse “selo” .eco, já que colaboram de forma direta e democrática para a cultura e formação da opinião pública. Já pensou o tamanho da cagada? Todo blog/site que oferecer conteúdo informativo deveria, repito DEVERIA, ser .eco.

Sinceramente… Qual a opinião de vocês?

Consumidor não sabe que tem direito a serviços bancários gratuitos

Fonte: IDEC

Levantamento realizado pelo Idec constata que mais de 80% desconhece serviços essenciais

Desde que entrou em vigor a Resolução 3.518/2007 do Banco Central (BC), em 30 de abril de 2008, é possível utilizar uma série de serviços bancários, como saques, extratos e folhas de cheque, sem pagar tarifa por eles.

No entanto, muitos consumidores ainda desconhecem o direito aos chamados “serviços essenciais”, operações bancárias imprescindíveis à livre movimentação de conta corrente e poupança, que devem ser oferecidas de graça, como constatou um levantamento realizado pelo Idec.

Dos 477 internautas que responderam à enquete no site do Idec entre os dias 14/6 e 5/7, 82%,2% disseram que não sabiam que podiam ter acesso a determinados serviços bancários gratuitamente.

Uma das explicações para essa situação é a falta de comprometimento dos bancos em informar o consumidor sobre os serviços isentos de tarifa e, principalmente, sobre a possibilidade de abrir uma conta só com eles.

O Idec avaliou as práticas das dez maiores instituições financeiras do país (Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú Unibanco, Nossa Caixa, Real, Santander e Unibanco) e constatou que, por meio da tabela de tarifas, em seis bancos não é possível saber se os serviços essenciais podem ser contratados isoladamente.

O resultado completo da pesquisa foi publicado na edição de agosto da Revista do Idec.

Conta gratuita
De acordo com a norma do BC, as operações gratuitas são:

  • Fornecimento de cartão com função de débito e segunda via, exceto em casos decorrentes de perda, roubo, danificação e outros.
  • Fornecimento de dez folhas de cheques por mês, desde que o correntista tenha os requisitos necessários à utilização de cheques.
  • Realização de até quatro saques por mês, em guichês de caixa, inclusive por meio de cheque, ou em terminal de autoatendimento.
  • Fornecimento de até dois extratos com a movimentação do mês em terminal de autoatendimento.
  • Consultas via internet (bankline).
  • Duas transferências de recursos entre contas na própria instituição, por mês.
  • Compensação de cheques e fornecimento ao cliente pessoa física, até 28 de fevereiro de cada ano, de extrato discriminando, mês a mês, as tarifas cobradas no ano anterior.
  • Os serviços essenciais atendem ao perfil de uso de consumidores que utilizam o banco para fazer operações básicas, de modo que, para essas pessoas, é possível manter uma conta bancária sem pagar nada.

    Mesmo para quem costuma utilizar outros serviços que não constam do rol de essenciais, vale a pena calcular se não é mais interessante pagar algumas operações avulsas e contratar só os serviços essenciais em vez dos pacotes pagos oferecidos pelos bancos.

    O consumidor que já tem conta aberta tem direito de migrar para uma modalidade apenas de serviços essenciais.

    Por uma sociedade mais racional

    A tributação variada é um assunto que sempre é deixado de lado nas discussões por causar grande polêmica entre ferrenhos advogados do capitalismo. O conceito de tributação variada é simples: O pagamento de impostos deve ser proporcional a renda ou consumo.

    Se observarmos a situação racionalmente, podemos perceber que esse tipo de tributação seria o ideal, já que grande empresas também são as maiores poluidoras. Portanto, é cabível que estes paguem mais impostos, viabilizando maiores investimentos que visem retornar os danos causados. O a contrario diz que essa atitude iria diminuir a atratividade dos negócios, já que quanto maior sua empresa, mais altos seriam os impostos.

    Assim como os tributos, a água também é um bem muito mais utilizado pelas grandes empresas, já que a produção de todo e qualquer produto utiliza a água. Portanto, seria ideal que a tributação desse bem fosse feita de forma proporcional ao gasto.

    O que queremos afinal? Quantidade X qualidade

    O que você prefere consumir: Produtos “made in china” que são produzidos com mão de obra duvidosa, com preços baixíssimos e durabilidade tão baixa quanto o preço ou produtos produzidos no seu país, com certificações de qualidade e, portanto, duráveis?

    O que quero expor aqui é que a nossa cultura de consumismo é ignorante. Nós consumimos produtos derivados de crimes ambientais e sociais, produzidos em números astronômicos, o que sempre será um problema para o meio ambiente.

    Foi-se o tempo em que um produto eletrônico durava mais de 15 anos. Tudo que compramos é descartável, quando a moda está em jogo, a situação piora. Afinal, queremos que essa industria continue essa produção do século XX, ou queremos novos produtos, duráveis, qualificados, preparados para o século XXI? É preciso tomar consciência de que a produção da industria não é saudável, e deve ser tributada a ponto de diminuir as mega corporações, o que aumentaria as chances das pequenas empresas de sobreviverem no mundo corporativo.

    O capitalismo e a lei da selva

    Quero deixar claro que não sou anti-capitalismo. Mas é preciso perceber que a forma como ele esta sendo trabalhado não é a ideal, ou você acha normal que uma pessoa possa ter U$ 50 bilhões? Meu argumento é: Os impostos deveriam ser adaptados para que seja inviável que alguma pessoa ou corporação tenha mais de U$ 1 bilhão, dificultando o acumulo desenfreado de renda, tornando os pequenos investimentos mais atrativos, e conseqüentemente, facilitando a melhor distribuição da renda.

    Quando uma pessoa tem muito dinheiro, tantas outras estarão passando dificuldades. Essa equação tem que ter variáveis que impeçam a desigualdade. Em outras palavras, corporações como a Microsoft, Unilever, Votorantim, seriam como leões com jubas enormes, demarcando território e controlando espaços gigantescos, inviabilizando a entrada de outros da mesma espécie. Compreendemos que isso aconteça no mundo animal, mas nós, seres racionais, sociais, deveríamos agir de maneira diferente.

    Por que deveríamos dificultar o enriquecimento?

    Um dos exemplos básicos que posso dar é a privatização feita no Brasil, onde os argumentos eram: Gerar concorrência para que os preços baixem e o consumidor seja valorizado. Como estudante de Marketing, concordo plenamente com o que foi disposto acima, porém sabemos que a coisa não é bem assim. Mesmo que exista a abertura para que haja concorrência, as leis acabam por favorecer as grandes corporações, que tem facilidade para acabar com sua concorrência, principalmente se ela for uma pequena ou micro empresa. As pequenas empresas precisam buscar nichos que ainda não foram explorados para conseguir crescer, enquanto o mercado de consumo popular está totalmente saturado por grandes corporações, que muitas vezes são donas de três dos quatro produtos que estão disponíveis no mercado. Que concorrência é essa?

    Portanto, temos que essa concorrência não é pensada sob uma visão social, comunitária, mas sim de uma visão animal, selvagem, onde o mais forte sempre vence e tem domínio sobre os outros. Se queremos uma sociedade mais igualitária, temos que criar idéias, leis, visões que valorizem os pequenos elementos da comunidade e inviabilizem os absurdos, as mutações, as mega corporações, para que todos possam ter ao menos uma pequena oportunidade de dignamente fazer parte do sistema.

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