A tributação variada é um assunto que sempre é deixado de lado nas discussões por causar grande polêmica entre ferrenhos advogados do capitalismo. O conceito de tributação variada é simples: O pagamento de impostos deve ser proporcional a renda ou consumo.
Se observarmos a situação racionalmente, podemos perceber que esse tipo de tributação seria o ideal, já que grande empresas também são as maiores poluidoras. Portanto, é cabível que estes paguem mais impostos, viabilizando maiores investimentos que visem retornar os danos causados. O a contrario diz que essa atitude iria diminuir a atratividade dos negócios, já que quanto maior sua empresa, mais altos seriam os impostos.
Assim como os tributos, a água também é um bem muito mais utilizado pelas grandes empresas, já que a produção de todo e qualquer produto utiliza a água. Portanto, seria ideal que a tributação desse bem fosse feita de forma proporcional ao gasto.
O que queremos afinal? Quantidade X qualidade
O que você prefere consumir: Produtos “made in china” que são produzidos com mão de obra duvidosa, com preços baixíssimos e durabilidade tão baixa quanto o preço ou produtos produzidos no seu país, com certificações de qualidade e, portanto, duráveis?
O que quero expor aqui é que a nossa cultura de consumismo é ignorante. Nós consumimos produtos derivados de crimes ambientais e sociais, produzidos em números astronômicos, o que sempre será um problema para o meio ambiente.
Foi-se o tempo em que um produto eletrônico durava mais de 15 anos. Tudo que compramos é descartável, quando a moda está em jogo, a situação piora. Afinal, queremos que essa industria continue essa produção do século XX, ou queremos novos produtos, duráveis, qualificados, preparados para o século XXI? É preciso tomar consciência de que a produção da industria não é saudável, e deve ser tributada a ponto de diminuir as mega corporações, o que aumentaria as chances das pequenas empresas de sobreviverem no mundo corporativo.
O capitalismo e a lei da selva
Quero deixar claro que não sou anti-capitalismo. Mas é preciso perceber que a forma como ele esta sendo trabalhado não é a ideal, ou você acha normal que uma pessoa possa ter U$ 50 bilhões? Meu argumento é: Os impostos deveriam ser adaptados para que seja inviável que alguma pessoa ou corporação tenha mais de U$ 1 bilhão, dificultando o acumulo desenfreado de renda, tornando os pequenos investimentos mais atrativos, e conseqüentemente, facilitando a melhor distribuição da renda.
Quando uma pessoa tem muito dinheiro, tantas outras estarão passando dificuldades. Essa equação tem que ter variáveis que impeçam a desigualdade. Em outras palavras, corporações como a Microsoft, Unilever, Votorantim, seriam como leões com jubas enormes, demarcando território e controlando espaços gigantescos, inviabilizando a entrada de outros da mesma espécie. Compreendemos que isso aconteça no mundo animal, mas nós, seres racionais, sociais, deveríamos agir de maneira diferente.
Por que deveríamos dificultar o enriquecimento?
Um dos exemplos básicos que posso dar é a privatização feita no Brasil, onde os argumentos eram: Gerar concorrência para que os preços baixem e o consumidor seja valorizado. Como estudante de Marketing, concordo plenamente com o que foi disposto acima, porém sabemos que a coisa não é bem assim. Mesmo que exista a abertura para que haja concorrência, as leis acabam por favorecer as grandes corporações, que tem facilidade para acabar com sua concorrência, principalmente se ela for uma pequena ou micro empresa. As pequenas empresas precisam buscar nichos que ainda não foram explorados para conseguir crescer, enquanto o mercado de consumo popular está totalmente saturado por grandes corporações, que muitas vezes são donas de três dos quatro produtos que estão disponíveis no mercado. Que concorrência é essa?
Portanto, temos que essa concorrência não é pensada sob uma visão social, comunitária, mas sim de uma visão animal, selvagem, onde o mais forte sempre vence e tem domínio sobre os outros. Se queremos uma sociedade mais igualitária, temos que criar idéias, leis, visões que valorizem os pequenos elementos da comunidade e inviabilizem os absurdos, as mutações, as mega corporações, para que todos possam ter ao menos uma pequena oportunidade de dignamente fazer parte do sistema.
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