Atitude Eco – Ativismo e sustentabilidade

Ativismo, mobilização, comunicação e sustentabilidade

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Ações no âmbito empresarial e político para construir uma sociedade responsável social e ambientalmente

Muitas empresas falam sobre a sustentabilidade e suas ações sociais, e temos a impressão de que muito está sendo feito nessa esfera. Porém, se observarmos o caminho que temos pela frente, vemos que não estamos nem mesmo engatinhando. Temos uma sociedade superficialmente ecológica, mas o “corebusiness” ou coração do negócio ainda é feito de rocha dura. Juntando alguns textos que andei lendo, decidi escrever aqui algumas das ações que acho imprescindíveis no âmbito empresarial para uma sociedade mais responsável.

Redução de impostos: Sem dúvida o estimulo por parte dos órgãos públicos é de suma importância para que as empresas venham a aderir ações que de fato levem a um resultado positivo para a sociedade, criando políticas de incentivo a responsabilidade sócio ambiental por meio da redução de impostos. Já que temos redução do IPI para automóveis, por que não para produtos ecológicos?

Financiamentos responsáveis: Empresas bancárias que se dizem sustentáveis devem, indiscutivelmente, tomar conhecimento e responsabilidade sob as empresas as quais estão financiando. É preciso vetar o incentivo financeiro para empresas que não tenham visão responsável, criando uma nova comunidade empresarial, mais verdadeira, mais responsável, mais social. O banco que faz financiamento irresponsável é também responsável pela degradação que esse terceiro causou.

Comunicação e benchmarking: O benchmarking é, segundo Marilena Lavorato, coordenadora do programa benchmarking, “Uma ferramenta de gestão que tem por premissa aprender com os melhores, e tem como metodologia reunir e compartilhar experiências bem-sucedidas que promoveram melhorias e avanços nos processos organizacionais.”. Portanto, é preciso mudar a cultura individualista e competitiva das empresas, criando uma comunicação efetiva das ações que tiveram bons resultados e, assim, facilitando a integração da sustentabilidade no âmbito empresarial. Na sustentabilidade, a difusão dos conhecimentos entre as partes para aplicação de melhorias é uma prática por si só responsável. Como apontado por Cláudio Andrade, que trabalha com responsabilidade social empresarial com foco para educação e comunicação corporativa, “Falta o avanço na prática da cooperação e materialização de soluções em conjunto.”

Relações com stakeholders: Os stakeholders são, no âmbito empresarial, todos aqueles públicos, sejam pessoas físicas ou jurídicas, que possuem algum tipo de influência ou relacionamento com determinada empresa. Quem conhece um pouquinho sobre a cadeia de produção dos bens de consumo sabe que aplicar a sustentabilidade é algo complexo e que exige muito mais do que manter seu jardim limpo. Algumas empresas chegam a ter centenas de fornecedores, que por sua vez também possuem outra dezena de fornecedores, e a coisa vai se complicando a cada nível da produção. Porém, é muito importante que as empresas saibam quem são seus públicos de interesse, quem são seus fornecedores e como eles trabalham, bem como os fornecedores dos fornecedores, assim por diante. A obrigação é da empresa de saber de onde vem a sua matéria prima e se os processos de extração, produção e distribuição respeitam a visão adotada pela empresa. É uma questão de princípios que influencia na produtividade: Você trabalha melhor com pessoas que gosta, certo?

Educação: Um dos princípios básicos para qualquer sociedade que se diga responsável e preocupada com a solução de problemas de segurança, saúde, transporte, habitação, consumo, política, etc. Como citado por Cláudio Andrade, “Um Estado onde a educação é alvo de investimento, a sociedade tende a funcionar melhor, especialmente no âmbito da ética, da justiça e da soberania do povo.”. Conversando com alguns amigos, percebi que grande parte dos cursos universitários ainda não tomaram a iniciativa de ministrar aulas de sustentabilidade. Apesar da grande publicidade positiva e assuntos relacionados ao tema, vemos que até mesmo as instituições (universidades) que deveriam estar sempre à frente do movimento social não compreenderam a real necessidade da abordagem do assunto. Como podemos formar arquitetos sem ensinar-lhes bio-arquitetura? Publicitários que não sabem o que é responsabilidade sócio ambiental? Engenheiros que nunca ouviram falar sobre tecnologia intuitiva? Me deixa intrigado como as universidades estão engessadas e paralisadas. “Nossa educação é feita em escolas do século XIX, com professores do século XX e alunos do século XXI”

Descartável/Durável: A arquitetura, engenharia e design são profissões que tem tudo haver com a sustentabilidade, dado que estes profissionais tem como fardo (queira ou não) a criação de produtos que atendam as necessidades das sociedades futuras. São essas pessoas que vão criar os produtos que poderão ser descartáveis ou duráveis e que terão impacto direto na produção e consumo da sociedade. Um produto bem sucedido é aquele que foi pensando em todo seu ciclo de vida, desde a produção até o descarte, buscando resultados positivos dentro e fora dessa cadeia. As pesquisas de desenvolvimento e inovação devem estar voltadas para esse futuro.

Certificações e selos: Certamente irão surgir novas certificações e novos selos ecológicos para todo tipo de produto, e tomara que estes trabalhem em conjunto para evitar a compra de concessões e a corrupção, males que estão profundamente inseridos na nossa sociedade. Infelizmente, essas são as únicas ferramentas que nós consumidores temos para se certificar sobre o tipo de responsabilidade que determinada empresa aplica, e é uma necessidade, já que grande parte das empresas embarcaram nessa moda para gerar publicidade positiva. Quem sabe criamos um certificado de políticos? Não é uma má idéia.

Documentário – The Corporation

O documentário The Corporation, dirigido por Mark Achbar, Jennifer Abbott e Joel Bakan, fala sobre a dinâmica que envolve o mundo das grandes corporações que movimentam a economia mundial. Com a participação de diretores de empresas, acionistas, espiões e outras figuras polemicas como Michael Moore, o documentário fala sobre a evolução,  natureza e impacto futuro dessas grande empresas sobre o mundo.

O documentário está disponível no Youtube em 24 pedaços de 6 min, com legendas em português.

Recomendo fortemente que assistam a esse filme.

Lista de reprodução inteira

Recomendado pelo leitor do blog, Sebastian Valle.

Sustentabilidade nas empresas e o GreenWashing (Congresso Sustentável 2009)

Hoje pela tarde estava conversando com o meu pai e ele me perguntou qual era a minha opinião sobre o congresso de sustentabilidade, achei interessante compartilhar.

Logo na primeira plenária, Marcos Bicudo deixou claro que o congresso tinha a intenção de sair da parte teórica e demonstrar a prática. Mas, infelizmente, ficou um ar de lorota nessa intenção. Começando pelo próprio evento, que não tinha nada de sustentável. Os organizadores devem achar que sustentável é espalhar lentilhas na mesa do café e servir pãozinho integral, ou então imprimir dezenas de livretos em papel reciclato (que é diferente de reciclado). O reciclato tem uma porcentagem (25%) de papel reciclado, mas não é totalmente reciclado. Sabe a moda do orgânico? O congresso era praticamente a Fashion Week do natureba. Nada convincente. Veja bem, a melhor forma de vender uma idéia é demonstrar que na prática ela funciona. Será que ninguém pensou em fazer o evento de forma sustentável? Vou pontuar alguns equívocos da organização:

Livretos, flyers: Que adianta usar reciclato para imprimir se a diagramação não visa a economia? Alguns livretos tinham mais de 50% da página em branco, tipo “borda”, e chegavam a ter em 80 páginas coisa que caberia em 30.

Artefatos orgânicos: Algumas pessoas devem achar que lentilha e bambu são sustentáveis. Sério, isso é uma ofensa à inteligência das pessoas, sem mais.

Alimentação: Olha que cômico, o enfeite das mesas eram lentilhas, e das bandejas eram folhas de rúcula. Ridículo. Alguém ensina para eles que usar comida como enfeite não é sustentável.

Palestrantes: A maioria dos palestrantes eram CEO’s de grandes empresas que de alguma forma começaram a trabalhar na sustentabilidade, puro marketing. Não estou dizendo que o marketing seja ruim, pelo contrário, acho importantíssimo que boas idéias ganhem visibilidade e sejam vendidas amplamente. O fato é que CEO’s só sabem vender imagens, não idéias. Seria mais interessante que os palestrantes fossem engenheiros, que apresentassem formas de se melhorar os processos, produtos. Profissionais de recursos humanos, para falar sobre capacitação, motivação. Políticos, para discutir sobre isenção de impostos. Infelizmente, o congresso tem seus interesses bem definidos e, é claro que as grandes empresas ganham mais espaço do que as grandes idéias.

E só para terminar, algo que me deixa irritadíssimo é empresa que se preocupa mais em fazer ações sociais do que reduzir o impacto ambiental da sua produção ou dos seus produtos. Isso é lobo vestido de cordeiro. É claro que ajudar uma comunidade de crianças carentes dá mais visibilidade do que diminuir o desperdício de água.

Não se deixe enganar, uma empresa realmente sustentável começa suas ações na redução do impacto ambiental da produção e dos produtos, depois na relação e capacitação dos seus empregados e finalmente nas ações sociais.

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