Atitude Eco – Ativismo e sustentabilidade

Ativismo, mobilização, comunicação e sustentabilidade

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O relato de uma aprendiza à ativista na Cúpula dos Povos

O que leva uma pessoa a agir, mesmo que contra o fluxo comum?

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Estava eu sentada na mureta da orla da Praia do Flamengo, em busca de silêncio para colocar em palavras tudo aquilo que eu havia vivenciado durante aquele dia carioca, quando a passagem de um vento forte me distraiu. Levantei os olhos, percebi o eixo do meu próprio corpo, as cores de final de tarde, o movimento nos banheiros públicos atrás de mim, outras muitas pessoas também sentadas ao longo da mesma mureta. Fechei os olhos, senti o vento no meu rosto, ouvi seu contato com o mar, e algum outro barulho… Abri os olhos, era o lixo que jogado entre a mureta e o mar, voava e batia contra o chão – uma espécie de plataforma do porto, larga, de cimento, que com a maré alta estava quase sendo invadida pela água. Muito lixo, sendo arrastado pelo vento, e provavelmente assim seria até encontrar com as águas e ser levado pelas ondas.

Era o nosso lixo, produzido num evento pelo meio ambiente, poluindo o mar. Que absurdo, pensava eu, e numa fração de segundos, resolvi pular. Foi um pulo alto, da mureta até chegar à plataforma, o que chamou a atenção dos que estava em volta. Melhor assim, pensava eu, que todos vejam. Deixei minha mochila num canto e, um pouco envergonhada, comecei a recolher aquele lixo todo.

Levantava sempre a cabeça, para observar reações. Alguns me viam como louca, riam, outros desviavam o olhar, e alguns apenas mantinham-se observando, tentando entender. Explicava a eles, mais ou menos com essas palavras: “Como pode? Nós, realizando um evento para debater sobre como proteger o meio ambiente, viver em harmonia com ele, e poluindo-o ao mesmo tempo! É muita contradição!E assim fui gritando coisas, ideias, provocações, chamando-os para recolher aquele lixo comigo. Não sei quanto tempo durou, podem ter sido segundos, minutos, meu coração batia muito rápido, pra mim foi uma eternidade. Só sei que ninguém se mexeu.

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Evento Ecoparade promove intervenção artística em prol do meio ambiente

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A Virada Sustentável e a semana do meio ambiente já foram, mas as mobilizações na cidade de São Paulo não param! A partir desse final de semana (18/6) a capital paulista será sede, com o apoio da secretaria do Verde e do Meio Ambiente, do evento EcoParade, que busca aliar a arte e a sustentabilidade de forma a sensibilizar as pessoas sobre as preocupações ambientais.

O evento segue até o final de julho e conta com bases distribuídas em oito parques da cidade (Aclimação, Buenos Aires, Burble Max, Ibirapuera, Independência, Jardim da Luz, Trianon), prometendo se tornar uma intervenção em prol da questão do lixo e da educação ambiental. A curadoria dos artistas foi feita pela Re9, empresa privada de educação para sustentabilidade, e conta com uma diversidade de personalidades para atribuir valor ao tema dos resíduos.

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Documentário sobre a vida de uma comunidade do Estado do Amazonas

Abaixo segue o trailer do documentário “Beco”, idealizado por Fernanda Preto e dirigido por Bruno Jorge, o filme traz a vida em um igarapé transformado em lixão na capital do Estado do Amazonas.

Sinopse: Trata-se de um longa-metragem de 75 minutos que se passa numa comunidade de palafitas localizada em cima de um igarapé do Rio Negro transformada em depósito de lixo urbano. O local contém as ruínas do quê já foi a terceira estação de bombeamento de água do Brasil e que abastecia 80% da cidade de Manaus. Hoje, abandonada, foi transformada praticamente em um esgoto a céu aberto, onde vivem dezenas de famílias em casas de madeira suspensas prestes à tombarem. Muitas delas sobrevivem de recolher o lixo, como latas e fios de cobre. O governo determinou que irá retirar essas famílias e aterrar os Igarapés antes do início da Copa do Mundo do Brasil de 2014 – na qual Manaus será uma das sedes.

Antes que isso aconteça, o filme traz uma crônica social desse espaço à partir de uma imersão na vida de nove famílias que lá habitam. O fio narrativo da história é sustentado pelo cotidiano de Liliane, uma jovem de 24 anos, grávida, com quatro filhos e que leva três deles na proa de sua canoa para acompanhá-la no recolhimento de latinhas no igarapé. O documentário mergulha em questões delicadas como família, religião e miséria numa atmosfera extremamente hostil para a vida em comunidade e, com isso, construir um mosaico de imagens poéticas complexo e perturbador.

Controle e regulamentação do uso de agrotóxicos

Em entrevista para Silvio Caccia Bava, editor do Le Monde Diplomatique Brasil, o diretor da Anvisa, Agenor Álvares, afirma que o Brasil está passando por um momento de trasição no controle e regulamentação do uso de agrotóxicos: “Nós interditamos linha de produção na BASF, na Bayer e na Syngenta, que são as três maiores do mundo”, afirma. Obviamente, essa é uma mudança que não agrada a todos.

A entrevista é longa e postarei apenas as partes que eu acredito que são importantes. Para acessar a entrevista toda, acesse o site do Diplomatique.

Le Monde Diplomatique Brasil: A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) vai efetivar a proibição de 14 agrotóxicos já comercializados?
Agenor Álvares: A Anvisa não colocou em lugar nenhum que ia proibir os produtos. O que a Anvisa está fazendo, inclusive regulamentada por uma resolução da diretoria colegiada, é a reavaliação de 14 produtos.

Diplomatique: Tem uma petição ao Ministério Público que foi feita há algum tempo pelo Adão Pretto e pelo Miguel Rossetto denunciando que morrem 5 mil trabalhadores rurais por ano em função da contaminação com os agrotóxicos. E as próprias pesquisas que o Idec acompanhou mostram uma contaminação grave dos alimentos com esses materiais químicos. Isso não exigiria uma medida imediata, mais radical?
Álvares: Eu não conheço essas avaliações às quais você se referiu. Nós temos aqui na Anvisa um programa chamado PARA (Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos), que avalia em torno de 20 culturas em todo o país. As secretarias estaduais de saúde colhem o produto e mandam pelos Correios para os laboratórios credenciados para que eles façam a avaliação. Temos tido surpresas desagradáveis com a utilização de agrotóxicos que não são destinados a determinadas culturas, ou acima do permitido, e inclusive a utilização de agrotóxicos que já foram banidos do país, que estão entrando de forma clandestina.

Diplomatique: Qual é a capacidade da Anvisa de fiscalizar isso?
Álvares: Dependendo do tipo de produto nós informamos para o órgão de fiscalização e controle, que é o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Agora, quando é um produto clandestino, que entra por contrabando, nós comunicamos à Polícia Federal, que é uma parceira de primeira hora. Inclusive fazemos diligências junto com eles para verificar denúncias e coibir o contrabando. No ano passado fizemos uma em Luis Eduardo Magalhães (BA), onde foi apreendido um número significativo de produtos contrabandeados. A Anvisa foi junto para ver se aquele produto era indicado para aquela cultura, se tinha autorização de comercialização, se estava registrado.

Diplomatique: Há punições a respeito disso?
Álvares: Claro, as pessoas foram presas. O mesmo ocorre quando fazemos a apreensão de um medicamento falsificado. É a mesma ação. Temos uma área de segurança institucional que conta com a PF de cada região para nos apoiar.

Diplomatique: Levando para um cenário mais amplo, já existem iniciativas da Comunidade Europeia, da Índia, da África, da Argentina, banindo, por exemplo, o endossulfan. Como continuamos permitindo isso aqui?
Álvares: Ele está em fase final de avaliação aqui. Ele inclusive deve ser banido em âmbito mundial no ano que vem.

Diplomatique: Mas aí não se justificaria, da parte de outros países, terem banido esses agrotóxicos antes de nós.
Álvares: Não justificaria. Muitas vezes os agrotóxicos que estamos reavaliando podem não ser aqueles que detectamos em excesso em algumas culturas. Por exemplo, o endossulfan que você citou. Tem um único país que tem uma fábrica: a Índia. E o embaixador da Índia está aqui fazendo pressão para não tirarmos ele, trazendo regras da OMC. Você sabe quem é o dono da marca? A Bayer. Ela produz na Alemanha? Claro que não. Ela tirou a fábrica dela da Alemanha e botou na Índia, e dali manda para o mundo inteiro.

Diplomatique: Temos relatos de estados como o Piauí, onde houve pulverizações por avião que fizeram secar plantações, árvores frutíferas, legumes. E há denúncias de que morreu gente. Isso não é o caso de uma ação de emergência?
Álvares: Claro que é. Mas a Anvisa fica tolhida nisso porque nós temos que atuar juntamente com o Ibama e com o Ministério da Agricultura.

Diplomatique: Nosso Ministério da Agricultura está dizendo que a Anvisa não deve mais fazer o que ela faz…
Álvares: É verdade. Inclusive nós temos notícia de uma portaria ministerial retirando da Anvisa essa competência. Mas isso é inócuo. Como uma portaria de ministro pode ter validade maior que a lei? Não pode, isso é bobagem. Eu recebi só a cópia da proposta. Nosso pessoal está fazendo uma análise, mas eu já digo que isso para nós não tem o menor significado.

Diplomatique: Eu vou insistir em uma coisa que me parece importante. Tem um documento do IDEC de 2003 em que de 1.278 amostras analisadas de diversos alimentos, 81% estavam contaminadas com resíduos de agrotóxicos, um grande número ultrapassava os limites máximos da legislação. Isso é de uma gravidade enorme.
Álvares: Muitas vezes a mesma cultura, quando vai para fora, não tem resíduo nenhum. As frutas para exportação, muitas delas estão limpinhas e entram tranquilo. Por exemplo, nós temos um produto que nós banimos em comum acordo entre a Anvisa, o MAPA e o Ibama, a ciexatina, que os Estados Unidos, a Europa e o Japão não aceitam. Ou seja, o produtor que vai produzir para exportar vai colocar isso na fruta dele? Claro que não.

Diplomatique: Tem uma estudiosa que diz que no fundo, com as proibições dos Estados Unidos e da União Europeia, essas transnacionais acabaram despejando todo o seu lixo no Brasil.
Álvares: É verdade. Nós não podemos aceitar que o Brasil seja transformado em um lixão do mundo. Em hipótese alguma. E isso pode estar acontecendo com alguns produtos, mas em breve isso não vai mais acontecer. Nós precisamos tomar todos os cuidados e também contar com a adesão de toda a sociedade civil brasileira. O Idec é um grande parceiro. Universidades, associações de produtores, alguns movimentos campesinos, todos apoiam nossa proposta. E agora temos setores da Câmara e do Senado completamente diferentes do que eram há cinco anos. Não houve pressões parlamentares sobre a Anvisa em relação às fiscalizações e nem às interdições das linhas de produção.

Diplomatique: Quais foram as empresas que sofreram interrupções?
Álvares: Nós interditamos linha de produção na BASF, na Bayer, na Syngenta, que são as três maiores do mundo; na Milenia, que é a sétima maior do mundo; na Nufarm, que é quarta maior do mundo; e na Iharabras. Em São Paulo, Paraná, Rio Grande do Sul e Ceará. Isso foi de julho do ano passado até março de 2010. Nós fizemos inspeção em 7 indústrias. Tinha empresa que chegou ao cúmulo de colocar substância para perfumar o agrotóxico. Tivemos que interditar os produtos.

Diplomatique: No Pantanal há grandes plantações de soja que têm uso de agrotóxico aplicado por avião. Os ribeirinhos contam que, quando chove, esses produtos escorrem para os rios, justamente nas cabeceiras onde há reprodução dos peixes a partir da pororoca. Isso está acabando com o Pantanal.
Álvares: Esse é um grande dilema do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente. Por isso que nós queremos, como uma política de governo, ter uma atuação muito próxima e conjunta. É uma política de governo que cuida principalmente do ambiente, da saúde humana, sem perder a perspectiva da eficiência agronômica, mas também sem colocar em primeiro lugar os aspectos comerciais e econômicos. O aspecto principal do Estado regulador é estabelecer regras claras e ser transparente para o setor regulado e para a sociedade que vai consumir. Isso é o papel do Estado regulador. E qual é a responsabilidade da empresa? É cumprir aquilo que ela acordou com o governo. Parte-se de um acordo que a gente faz. A responsabilidade social é que ela tem que cumprir aquele acordo, sem ver como mais importante o aspecto econômico da empresa e o acionista. Isso seria irresponsabilidade social.

Virada Sustentável será realizada em São Paulo, em março de 2011

Galera, a Virada Sustentável mudou de data e agora será em junho! Para mais informações veja o post em que explico a decisão da organização sobre mudança de data da Virada Sustentável.

Fonte: EcoDesenvolvimento

São Paulo ganhará outro evento de fim de semana como o Virada Cultural, só que dessa vez preocupado com os impactos no clima. A Virada Sustentável vai ser realizada nos dia 19 e 20 de março de 2011 e contará com uma maratona de arte e diversão relacionada a temas como lixo, poluição e mobilidade urbana.

Cerca de 170 atrações estarão distribuidas entre parques da cidade, museus, espaços cultirais e ruas. Serão shows de música, teatro, exposições, cinema e intervenções artísticas realizadas por artistas que já demonstram preocupação com a questão do meio ambiente e do social.

Ao contrário do que acontece na Virada Cultural, o evento não vai ser realizado durante a madrugada. “Queremos propor uma virada da consciência. Será um evento sobre meio ambiente, mas nada de debates”, afirmou um dos organizadores do evento, o jornalista André Palhano, em entrevista ao jornal Estado de São Paulo. A expectativa da organização é atrair 2 milhões de pessoas.

O Parque Ibirapuera será um dos palcos da Virada Sustentável/Foto: Fernando Stankuns

O Parque Ibirapuera será um dos palcos da Virada Sustentável/Foto: Fernando Stankuns

Atrações

Alguns artistas já são atração confirmada, entre eles Lenine, Hermeto Pascoal, MV Bill, Falamansa e balé Cisne Negro. Além disso, nos principais palcos, como nos Parques do Ibirapuera, Carmo e da Independência, os apresentadores da festa serão os Doutores da Alegria.

Outra atração já programada será a intervenção do artista Guto Lacaz, que vai colocar piscinas no curso do Rio Pinheiros, para criar “ilhas de água limpa” em meio ao rio poluido. Todos os espetáculos participantes passaram pela seleção de um Conselho Curador, que conta com o artista Eduardo Srur e representantes do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da Fundação SOS Mata Atlântica.

O projeto

No início a Virada era apenas um projeto de shows em um centro cultural, mas a ideia foi ganhando forma e cresceu após o apoio da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente e da agência de publicidade Lew, Lara\TBWA – que está trabalhando de forma voluntária.

Assim como no Festival SWU e na Copa do Mundo, os organizadores do projeto estão preocupados em fazer tudo da forma mais sustentável possível, uma das medidas serão a neutralização da emissão de carbono, o cuidado com o lixo e o uso de materiais recicláveis.

Confira a campanha do evento abaixo:

História dos eletrônicos – Story of Electronics

O mais novo vídeo do projeto Story of the Stuff é bem interessante e fala sobre a obsolescência planejada. Em português claro, é quando a indústria utiliza estrategicamente fatores como moda e inovação para fazer com que os consumidores comprem constantemente novos produtos, sempre acreditando que aquilo que possui está desatualizado.

Para assistir a versão com legendas é preciso acessar o vídeo pelo Youtube, clicar no “cc” no canto inferior direito do vídeo e escolher a legenda “Português”.

Educação para o consumo sustentável – Intensificação do uso

Temos visto muitas ações interessantes de reciclagem e reutilização de materiais, inclusive apoiado e estimulado pelas grandes empresas.

É claro que é muito importante reciclar, afinal, esse processo nos ajuda na diminuição da dependência de matérias primas, evitando a maior exploração dos recursos naturais. Porém, alguns processos de reciclagem acabam sendo mais prejudiciais à natureza do que a produção do produto primário.

Há tempos tenho dito: O estímulo à reciclagem é uma forma de aliviar a consciência do consumo excessivo.

Obviamente as empresas não farão uma campanha para que você consuma

Pessoas no lixão

Pessoas no lixão

menos salgadinhos, bolachas ou outros itens, tão pouco irão apoiar esse tipo de ação. Ela quer que você consuma mais e mais e mais e, para deixar sua consciência limpa e lavar as próprias mãos, pede encarecidamente que você recicle as toneladas de lixo que você gerou.

Existe uma estratégia de marketing chamada “intensificação do uso”, que significa: Formas de fazer com que as pessoas que já são clientes utilizem mais e mais nosso produto.

Alguns exemplos de intensificação do uso:

Aumentar o lastro de um recipiente para fazer com que você consuma mais rápido o produto: Os tubos de pasta de dentes tinham um bocal menor, o que tornava mais demorada a utilização da pasta.

Indicar formas “corretas” de uso: Tenho certeza que você já leu na embalagem do seu xampu ou condicionador que “para um melhor resultado, aplicar três vezes o produto”.

Portanto, as marcas continuarão apostando na reciclagem como mote da sustentabilidade empresarial, e deixarão para você a responsabilidade do consumo excessivo, mesmo que elas pratiquem ações de incentivo ao consumo.

Os produtos que trabalham com intensificação do uso devem ser consumidos com cautela.

- Preste atenção na quantidade de produto que está usando; será que é mesmo necessário tudo isso?

- Quando a indicação de uso exige consumo excessivo, desconfie.

Lembre-se: Não basta apenas reciclar, é preciso consumir conscientemente.

Outros posts da série Educação para o consumo sustentável:

Educação para o consumo sustentável – Signos ou objetos?

Educação para o consumo sustentável – Obsolescência planejada (Tecnologia)

Composteira de minhocas em meu apartamento

Este não é um post pago.

Você sabia que, no Brasil, mais de 50% do lixo é composto por matéria orgânica? E que esse mesmo material orgânico é responsável pela poluição do lençol freático?

Durante quase um ano procurei por uma forma de reciclar a matéria orgânica produzida no meu apartamento, busquei informações sobre diversos tipos de composteiras e produtos que pudessem suprir minha necessidade de se ter um produto que não tivesse cheiro e nem ocupasse espaço, pois moro num apartamento bem pequeno.

Há quase quatro meses comprei uma Minhocasa. Ao total gastei R$ 210,00 (produto) + R$ 75,00 (frete), achei caro e fiz questão de cobrar a pessoa que estava me atendendo: “Tenho um blog de sustentabilidade, se o produto não atender minhas exigências eu farei questão de me pronunciar contra a sua marcar.”.

Tenho que admitir que estou MUITO contente com a compra que fiz. Passo mais de uma hora do meu dia só cuidando das bixinhas, observando o tamanho de cada uma, conjecturando sobre a quantidade de “gerações” que já nasceram sob meus cuidados, etc. Só não conheço cada minhoca por nome por que são mais de 70.

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Composteira de minhocas

Enfim, meus “animais” de estimação são minhocas, e elas tem uma finalidade útil como moradoras desse apartamento. A produção de lixo chegava a ser quase duas vezes maior. São alguns kilos de lixo a menos, e duas sacolas plásticas por semana. Sem contar que os excrementos são os melhores fertilizantes para minhas plantas, em casa tenho alecrim, manjericão, hortelã e trevos. Nada de ficar limpando coco!

Quem quiser saber mais sobre como se ter uma composteira em casa é só acessar o site do Minhocasa ou enviar um comentário/email/twitter/mensagem/sinaldefumaça/pombocorreio/códigomorse.

Locais para descarte de lixo eletrônico

E-LIXO MAPS: Essa é uma ferramenta muito simples de se usar: Você digita o seu CEP, número da residência e o tipo de lixo que está querendo descartar. O interessante é que não são apenas os principais lixos eletrônicos como computadores, máquinas, baterias e celulares, mas todo tipo de periférico relacionado à tecnologia.

Você é o ponto vermelho e os pontos verdes são os locais de coleta. Se não estiver vendo nenhum ponto verde, utilize o “menos zoom” até encontrar pois a ferramenta indica pontos em todo o Brasil. Infelizmente, os locais ainda são poucos e dificultam o descarte, mas é só juntar uma grande quantidade e fazer a viagem valer a pena.

Senado aprova Política Nacional de Resíduos Sólidos

Fonte: Rafael Moraes Moura / Brasília, Andrea Vialli – O Estado de S.Paulo

O sistema, chamado de logística reversa, deverá ser implantado por fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Com isso, depois de usados, itens como pilhas, baterias e pneus, além dos produtos eletroeletrônicos e seus componentes, deverão retornar para as empresas, que darão a destinação ambiental adequada.

O texto também destaca a importância de cooperativas ou associações de catadores de materiais reutilizáveis, que poderão ser beneficiados com linhas de financiamento público. Pela proposta, embalagens deverão ser fabricadas com materiais que propiciem sua reutilização ou reciclagem. Também ficará proibida a importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos.

Ontem, o projeto foi aprovado por quatro comissões do Senado e, horas depois, em votação simbólica no plenário da Casa. Em março, havia passado na Câmara dos Deputados, graças a um acordo de líderes. Agora, para virar lei, precisa ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O texto final é resultado de um longo debate entre Congresso, governo, empresários e ambientalistas, que começou a tomar forma em 1989.

“Vai mudar da noite para o dia? Não, porque é um trabalho de conscientização, em que todos vão estar comprometidos a obedecer a uma legislação”, comentou o senador César Borges (PR-BA), relator do projeto em três comissões.

Avanço. Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que compareceu ao Senado para acompanhar a votação, os resíduos sólidos são o maior problema ambiental do País.

Em sua avaliação, o projeto institucionaliza a reciclagem dentro da cadeia produtiva nacional. “É possível reciclar, lucrar, ter estratégias de gestão moderna, ganhar dinheiro com impostos e com tecnologia de equipamentos.”

A aprovação da lei nacional também foi comemorada por empresários ligados ao setor de coleta e destinação do lixo.

De acordo com Carlos Roberto Vieira Filho, diretor da Abrelpe, entidade que reúne as empresas de tratamento de resíduos, a aprovação da lei vai combater a informalidade no setor. “Hoje, 43% dos resíduos coletados no País têm destino inadequado. A lei trará a modernização do tratamento do lixo no País”, afirma.

Segundo ele, um dos principais avanços que a lei trará é a implementação da logística reversa, especialmente para itens como eletroeletrônicos ao fim de sua vida útil. “A lei coloca o Brasil em uma posição avançada. A logística reversa segue o mesmo princípio das diretivas europeias para lixo eletrônico.”

Na avaliação de Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da fabricante de embalagens Tetra Pak, outro ponto positivo da lei é a criminalização dos lixões, que incentivará investimentos em novas tecnologias para tratar o lixo. “Não teremos mais só aterros, mas também mais coleta seletiva, reciclagem e incineração dos resíduos”, diz.

A proposta:

Lixões
Proíbe o lançamento de resíduos sólidos ou rejeitos a céu aberto – os lixões.

Habitações
Proíbe nas áreas de disposição final de resíduos ou rejeitos a fixação de habitações temporárias ou permanentes.

Importação
Proíbe a importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos.

Incentivos
União, Estados e municípios poderão conceder incentivos fiscais e financeiros para indústrias e entidades dedicadas a tratar e reciclar os resíduos.

Financiamento
O poder público poderá instituir linhas de financiamento para cooperativas ou associações de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, formadas por pessoas de baixa renda.

Plano de gestão
União, Estados e municípios deverão fazer planos integrados de resíduos sólidos, com diagnóstico da situação, metas de redução de lixo e reciclagem e ações para atingir os objetivos.

Logística reversa
Fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes terão de dar destinação adequada aos produtos que fabricaram, após o uso pelo consumidor.

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