Atitude Eco – Ativismo e sustentabilidade

Ativismo, mobilização, comunicação e sustentabilidade

Tag Archives: resíduos

Reciclagem, upcycle e ideias para valorizar os resíduos

"A Árvore" de Silvio Alvarez

"A Árvore" de Silvio Alvarez

Reciclar pode não ser novidade, mas existem algumas cabeças que estão inovando os processos e subvertendo o conceito da reciclagem. Grosso modo, a reciclagem é um processo que gasta energia na transformação de resíduos em matérias primas que serão utilizadas para fazer outros produtos. O conceito pode parecer perfeito, mas não é. Na realidade, quando o resíduo passa pelo processo de transformação, ele perde valor e acaba se tornando uma matéria prima de segunda mão, sendo utilizada em produtos que o consumidor não dá tanta atenção. Portanto, aquela garrafa plástica que você mandou para a reciclagem nunca mais será uma garrafa novamente.

Vamos fazer um exercício: Procure em sua casa por produtos que foram produzidos com matéria prima reciclada.

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Evento Ecoparade promove intervenção artística em prol do meio ambiente

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A Virada Sustentável e a semana do meio ambiente já foram, mas as mobilizações na cidade de São Paulo não param! A partir desse final de semana (18/6) a capital paulista será sede, com o apoio da secretaria do Verde e do Meio Ambiente, do evento EcoParade, que busca aliar a arte e a sustentabilidade de forma a sensibilizar as pessoas sobre as preocupações ambientais.

O evento segue até o final de julho e conta com bases distribuídas em oito parques da cidade (Aclimação, Buenos Aires, Burble Max, Ibirapuera, Independência, Jardim da Luz, Trianon), prometendo se tornar uma intervenção em prol da questão do lixo e da educação ambiental. A curadoria dos artistas foi feita pela Re9, empresa privada de educação para sustentabilidade, e conta com uma diversidade de personalidades para atribuir valor ao tema dos resíduos.

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Visita a fábrica da Pepsico

Dia 6/12 fui convidado para fazer uma visita a fábrica de salgadinhos da Pepsico junto a outros tantos blogueiros, muitos dos quais admiro e acompanho o trabalho. Estavam lá: @samegui @gnsbrasil @educaja (@cybelemeyer) @evandrocesar @sustentabilizar @maitelemos @aquinacozinha @blogdati @marciaceschini @cozinhapequena @fabioallves @mabegalli @mundodastribos @lidifaria @tuliomalaspina @vanerodrigues @virts e @sustentavel20 (@alinekelly), esqueci alguém ou linkei para url errada?

Visita Pepsico

Foto: @fabioallves

Demorei a escrever esse post pois precisei de tempo para pensar sobre toda a informação que nos foi dada, além de esperar pelos comentários dos outros companheiros que estiveram por lá e que, sem dúvida, contribuíram para o fechamento dessas conclusões. Os outros blogs que já escreveram suas impressões foram: Bikini.veredas, Oras blog!, Sustentabilidade Corporativa, Pare o Mundo, Sustentável 2.0. Alguém mais que estou deixando de fora?

Para começar, é obvio que estamos falando de uma mega corporação que vende produtos industrializados com baixo valor nutritivo, ou seja, seu business por si só não é nada sustentável. Então por que os blogueiros foram convidados para conversar com a equipe de sustentabilidade da Pepsico?

Por que eles estão fazendo um trabalho honesto e querem divulgação opinativa, sem medo.

É claro que o fato de você conseguir produzir e administrar sustentavelmente não exclui ou diminui os outros danos relacionados a empresa. Portanto, toda conquista é pouca.

Outro fato importante é que nós fomos apresentados ao projeto pela própria coordenadora, a engenheira Andreza Moleiro Araujo, fica fácil de perceber a paixão dela pelo que faz, mas difícil de saber quanto é paixão e quanto é realidade.

Outra ressalva é que o encontro foi rápido, e não foi possível conhecer todas as ações que a empresa faz, portanto faço um relato genérico do que tivemos contato.

sustentabilidade pepsico

Foto: @fabioallves

O que a empresa está fazendo de bom:

  • Tem buscado a integração e participação de todos os funcionários em torno da sustentabilidade.
  • Tem buscado fornecedores que atendam a políticas que estejam de acordo com as da Pepsico.
  • Modernizou ao máximo sua fábrica para torná-la menos impactante ao meio ambiente.
  • Promovem ações de coleta dos resíduos de embalagens.
  • Neutralizam as emissões.
  • Atende as normas de segurança e saúde.

O que a empresa ainda pode fazer para melhorar:

  • O gerente da fábrica nos informou que: “é possível que parte dos produtos fornecidos tenha procedência transgênica“. Pessoalmente, acho uma falácia dizer que uma empresa como a Pepsico não tem poder de barganha o suficiente para exigir um controle de qualidade que ateste que o fornecimento dessas matérias primas esteja de acordo. Esse controle é possível de ser feito e deve ser levado em conta.
  • Informação não custa nada e é um direito do consumidor. As embalagens devem conter informações sobre os possíveis danos a saúde que o consumo excessivo pode causar e também quanto ao destino do valor pago pelo produto, demonstrando ao consumidor que desse produto de R$5,00, R$1,30 foram em impostos, R$1,50 em publicidade, R$0,70 administrativo, etc.
  • São apenas 16 fornecedores aqui no Brasil. Pelo visto, grandes latifúndios. Seria interessante começar uma ação de estímulo ao pequeno agricultor, e aos poucos capacitando-os para fornecer o produto com a qualidade necessária. É uma ação que estimula o crescimento do país, diminui a pobreza e melhora a relação da empresa-fornecedor.
  • Convidar outras pessoas, de segmentos mais especializados, como acadêmicos, ongs, consultorias, etc. que possam fornecer um feedback mais qualificado sobre cada uma das ações, propondo soluções e outras possibilidades dentro daquilo que já está sendo feito.
  • Maior participação nas questões de governança do país. Uma empresa desse porte tem que participar abertamente, sem lobby, de movimentos como a política de resíduos sólidos ou pela regulamentação da publicidade de alimentos não saudáveis. Pode parecer um tiro no pé, mas de uma forma ou de outra essas exigências da sociedade deverão ser incorporadas pelas empresas.
  • Como a ação acima, buscar maior pró atividade e visão de futuro. As ações que estão feitas são ótimas e contemplam a realidade da primeira década do século XXI, mas esse olhar deve estar mais atento aos rumos que a sociedade está tomando. Lembre-se: Você é uma indústria de alimentos, não uma indústria de salgadinhos.
  • Dentro da visão de futuro, buscar uma nova relação administrativa, que valorize e  distribua melhor os recursos da empresa. Acredito muito na reavaliação dos organogramas, folhas de pagamento e carga horária para melhora da qualidade de vida dos trabalhadores.
Fábrica Pepsico

Foto: @fabioallves

E para finalizar, quero deixar um recado.

As mega corporações, que até ontem eram administradas por velhos engravatados machistas,

Tulio Malaspina

Eu! (@tuliomalaspina) Foto: @fabioallves

ainda carregam muito da cultura industrial. Mas as coisas começam a mudar e, criminalizar e vetar qualquer tipo de colaboração com esses grandes hubs é tão arcaico quanto o velho machista. Uma empresa que emprega duas mil pessoas em uma só fábrica tem um papel social grande, e pode ser ainda maior se estiver aberta à população. Mas a população também deve estar disposta a colaborar. Bater é fácil, crescer junto tem custo.

A sustentabilidade não é um ponto de chegada, é uma forma de caminhar, e todos estamos tentando caminhar da melhor forma possível, cada qual com suas demandas, uns fumam mas são vegetarianos, outros comem carne mas só andam de bike. Assim como na nossa vida, as empresas também têm essas dificuldades. O poder dessas corporações é gigantesco e é possível fazer com que esse poder seja direcionado a causas importantes para a sociedade.

Quando falamos de corporações, muitas vezes esquecemos que o que faz uma empresa são pessoas, que comem, bebem, tem doenças e crises, filhos, tios, pais e mães, fumam, bebem, batem o carro e também tem uma causa, seja religiosa, seja ambientalista, seja política. O que nós precisamos é de gente com princípios dentro dessas empresas.

Fica ai minha humilde observação dessa experiência. Espero que possa colaborar com tantas outras e que outras pessoas, que ainda não observam a possibilidade de colaboração entre os principais vetores da sociedade, possam acreditar numa relação mais humana.

Consciente Coletivo 6/10 – Reciclagem

Fonte: Instituto Akatu

Em 10 episódios, a série Consciente Coletivo faz reflexões, de forma simples e divertida, sobre os problemas gerados pelo ritmo de produção e consumo de hoje. Entre os assuntos estão sustentabilidade, mudanças climáticas, consumo de água e energia, estilo de vida, entre outros, que permeiam o universo da consciência ambiental. O projeto é uma parceria entre o Instituto Akatu, Canal Futura e a HP do Brasil.

Educação para o consumo sustentável – Intensificação do uso

Temos visto muitas ações interessantes de reciclagem e reutilização de materiais, inclusive apoiado e estimulado pelas grandes empresas.

É claro que é muito importante reciclar, afinal, esse processo nos ajuda na diminuição da dependência de matérias primas, evitando a maior exploração dos recursos naturais. Porém, alguns processos de reciclagem acabam sendo mais prejudiciais à natureza do que a produção do produto primário.

Há tempos tenho dito: O estímulo à reciclagem é uma forma de aliviar a consciência do consumo excessivo.

Obviamente as empresas não farão uma campanha para que você consuma

Pessoas no lixão

Pessoas no lixão

menos salgadinhos, bolachas ou outros itens, tão pouco irão apoiar esse tipo de ação. Ela quer que você consuma mais e mais e mais e, para deixar sua consciência limpa e lavar as próprias mãos, pede encarecidamente que você recicle as toneladas de lixo que você gerou.

Existe uma estratégia de marketing chamada “intensificação do uso”, que significa: Formas de fazer com que as pessoas que já são clientes utilizem mais e mais nosso produto.

Alguns exemplos de intensificação do uso:

Aumentar o lastro de um recipiente para fazer com que você consuma mais rápido o produto: Os tubos de pasta de dentes tinham um bocal menor, o que tornava mais demorada a utilização da pasta.

Indicar formas “corretas” de uso: Tenho certeza que você já leu na embalagem do seu xampu ou condicionador que “para um melhor resultado, aplicar três vezes o produto”.

Portanto, as marcas continuarão apostando na reciclagem como mote da sustentabilidade empresarial, e deixarão para você a responsabilidade do consumo excessivo, mesmo que elas pratiquem ações de incentivo ao consumo.

Os produtos que trabalham com intensificação do uso devem ser consumidos com cautela.

- Preste atenção na quantidade de produto que está usando; será que é mesmo necessário tudo isso?

- Quando a indicação de uso exige consumo excessivo, desconfie.

Lembre-se: Não basta apenas reciclar, é preciso consumir conscientemente.

Outros posts da série Educação para o consumo sustentável:

Educação para o consumo sustentável – Signos ou objetos?

Educação para o consumo sustentável – Obsolescência planejada (Tecnologia)

Papel reciclado ou certificado?

Fonte: Bruno Rico, para o Último Segundo

papel reciclado

papel reciclado

Recentemente, duas empresas precursoras da responsabilidade ambiental no País deixaram de priorizar o papel reciclado em suas atividades. O Banco Real restringiu sua utilização a talões de cheques, material de merchandising e malas diretas. Na Natura, ele foi praticamente abolido. Em ambos os casos, as companhias passaram a usar o chamado papel virgem com o certificado FSC alegando melhores benefícios socioambientais. Mas até o momento nem empresas e nem ONGs conseguem ser conclusivas frente à questão “qual papel é ecologicamente mais correto?”. A própria Natura confundiu os papéis. Em resposta enviada à reportagem do Último Segundo, afirma que o certificado FSC “define critérios de certificação florestal e de cadeia de custódia em toda a cadeia produtiva do papel”. Trata-se de um equívoco. O FSC (Conselho de Administração de Florestas, em português) é uma organização não-governamental que define critérios de certificação florestal em todo o mundo, mas não monitora o trabalho de transformação da madeira em papel.

fsc logo

fsc logo

Dentro das fábricas, onde há geração de dejetos tóxicos e alto consumo de água e energia, o FSC não trabalha. “Estamos lançando uma política que vai monitorar a parte social e ambiental das indústrias, mas ainda estamos fazendo testes”, disse Lucia Massaroth, engenheira florestal do Imaflora, uma das empresas que faz a monitoração das florestas para o FSC.

A reportagem do Último Segundo perguntou a ONGs e entidades atuantes no ramo e nenhuma pesquisa nacional que apontasse qual tipo de papel, o reciclado ou o certificado FSC, é menos impactante à natureza foi revelada. Pelo contrário, essas empresas reclamaram da falta de conclusão sobre o assunto.

O Instituto Akatu, que trabalha com sustentabilidade, disse que “ainda não existem estudos específicos e definitivos comparando os impactos dos papéis reciclados comparativamente aos brancos”.

A ONG Ekos Brasil encontrou, no entanto, um estudo europeu que responde à pergunta. A pesquisa “Examples of LCAs for Management Decisions in Europe” (“Exemplos de LCAs para as decisões de gestão na Europa, em português), encomendada pela Coop, uma cadeia de supermercados da Suíça, fez a avaliação do ciclo de vida do papel e confirmou algo que, de certa forma, já era esperado. Na média, o papel reciclado gera menor impacto ambiental do que qualquer papel virgem, incluindo os certificados pelo FSC. O principal motivo é simples: o papel reciclado poupa árvores e florestas e, por esse motivo, é defendido pelas ONGs e entidades do ramo.

Impacto ambiental do papel

Mas ambas as atividades geram impactos agressivos sobre a natureza. Para a produção de papel virgem, além do desmatamento, o diretor Délcio Rodrigues, da Ekos Brasil, explica que “precisa de solo, mudas, fertilizantes, água e energia fóssil. Quando paramos para olhar cada um desses fatores, vemos cada um desses impactos. Quanto mais uso a área, menor a possibilidade de recuperação da biodiversidade, além da liberação de gases de efeito estufa e da perda da terra, que vai parar em rios”

O papel reciclado, embora não derrube florestas, gera impactos também onerosos. Délcio explica que “a questão toda do papel (reciclado) é o branqueamento, que consome produtos químicos muito tóxicos”. Um dos vilões seria o “ftalato”, um aditivo usado para dar plasticidade à tinta. “Esses componentes, se não tratados, são altamente poluentes”.

Segundo ele, apesar dos dados confirmarem o impacto menor do papel reciclado sobre a natureza, seria um erro achar que ele não agride o meio ambiente. “O grande mito é achar que as fábricas de papel reciclado são melhores do que as outras”, alerta.

Entidades do setor apontam a fiscalização do tratamento dos dejetos tanto em fábricas de papéis reciclados como de papel virgem como uma atividade tão importante quanto a utilização de madeira proveniente de florestas replantadas. Não adianta, assim, comprar papel reciclado. Tem que conhecer como a empresa trata seus dejetos.

Certificados “verdes”

Especialistas e profissionais indicam que o consumidor volte sua atenção para os certificados que as marcas de papel carregam. Evelin Fagundes dos Santos, coordenadora de certificação da Imaflora, indica a que o consumidor observe os certificados ambientais. “Entre eles, há o FSC, o ISO 14001, e selos variados sobre a emissão de carbono”. Os selos podem ser encontrados nas embalagens dos papeis.

O FSC garante que a origem da madeira é correta, proveniente de florestas plantadas e sustentáveis; os certificados de carbono monitoram a emissão de carbono durante o processo; e o Iso 14001 monitora a geração de resíduos das fábricas. Mas há pouca informação e notícias sobre este último.

Papel virgem e reciclado: complementares

embalagem papel reciclado

embalagem papel reciclado

Especialistas ressaltam, também, que é necessário lembrar que, para se produzir papel reciclado, em algum momento foi necessária a produção de papel virgem. De acordo com Afonso Moraes Moura, da Associação Brasileira Técnica de Celulose e Papel (ABTCP), a vida útil do papel dura de 4 a 7 reciclagens. E, a cada nova reciclagem, o papel vai perdendo qualidade e ganhando novas funções.

No seu primeiro estágio (virgem) ele pode, por exemplo, ser um papel sulfite. Depois, reciclado, pode até voltar a ser sulfite mas, para isso, precisa receber certa quantidade de papel virgem. Na próxima reciclagem, pode se tornar embalagem de mercadorias. Numa quarta reciclagem, já se torna caixa de papelão. E, no último estágio, vira “miolo” de caixa de papelão.

Segundo dados da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), o País recicla metade de todo seu papel produzido. Entre os papelões, cerca de 75% é reciclado. As entidades defendem a ampliação da reciclagem, mas mesmo que ela atingisse 100%, o fornecimento de papel virgem é uma necessidade do mercado. “O reabastecimento do mercado com papel novo é permanentemente necessário. Eles são complementares”, explica o diretor Afonso Moraes Moura, ABTCP.

Governo abre consulta pública para plano de sustentabilidade ambiental

Por: Fábio M. Michel, Rede Brasil Atual

São Paulo – Até 11 de novembro, cidadãos e entidades da

consulta pública para plano de sustentabilidade ambiental

consulta pública para plano de sustentabilidade ambiental

sociedade civil podemdar suas sugestões para a preservação e recuperação ambiental do país, participando da consulta pública para o Plano de Ação e Consumo Sustentáveis (PPCS), do Ministério do Meio Ambiente (MMA).

O documento – um trabalho conjunto que envolveu outros cinco ministérios, além de diversas instituições – engloba ações a serem adotadas pelos futuros governantes que promovam a sustentabilidade dos padrões de produção e de consumo de bens e serviços.

Com a consulta pública, o MMA objetiva envolver governo, setores produtivos e população na discussão sobre a responsabilidade ambiental, em face dos alertas já sinalizados pela ciência sobre os riscos de se manter os atuais padrões de atividade econômica.

Segundo o MMA, as prioridades selecionadas pelo governo – num plano de ação que tem previsão de três anos para sua implantação – é formado por seis pontos básicos: educação para o consumo sustentável, compras públicas sustentáveis, agenda ambiental na administração pública, aumento da reciclagem de resíduos sólidos, construção civil sustentável e, por fim, varejo e consumo sustentáveis.

Orientações para a obtenção, preenchimento e envio do formulário para participar da consulta pública estão disponíveis pra download no site do MMA, no endereço http://www.mma.gov.br/ppcs. As sugestões recebidas serão submetidas à apreciação do Comitê Gestor do PPCS. A previsão é que a versão final do documento saia ainda este ano.

Metais pesados no Tietê

Fonte: Revista Pesquisa/FAPESP

No ínicio do século XX, nadar nas águas cristalinas do rio Tietê atraía muitos entusiastas. Hoje, quem se dispusesse a

Poluição no rio Tietê

Poluição no rio Tietê

 encarar tal desafio não correria apenas o risco de trombar com os sofás, garrafas pet e pneus de automóveis. Pesquisa feita pelo Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (Cena/USP) indica que, com graus diferentes de intensidade e toxidade, uma grande quantidade de metais pesados nocivos à saúde humana - como cobre, cobalto, cromo, zinco, níquel e chumbo – também está presente em diversos pontos da bacia do Tietê. O estudo, que avaliou sedimentos coletados em 12 pontos diferentes, da nascente à foz, mostra que os pontos críticos, onde a concentração dos metais é mais evidente, estão nas proximidades do reservatório de Pirapora, na região do Anhembi e no reservatório de Nova Avanhandava. “A principal causa da contaminação é o esgoto doméstico; em seguida aparecem os resíduos agrícolas e dejetos industriais”, avalia Jefferson Mortatti, que coordenou o levantamento. Segundo ele, toda a cadeia alimentar é afetada. Em seres humanos, esses metais podem provocar dermatites, alterações no sistema nervoso e nos pulmões e redução de fertilidade.

Senado aprova Política Nacional de Resíduos Sólidos

Fonte: Rafael Moraes Moura / Brasília, Andrea Vialli – O Estado de S.Paulo

O sistema, chamado de logística reversa, deverá ser implantado por fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes. Com isso, depois de usados, itens como pilhas, baterias e pneus, além dos produtos eletroeletrônicos e seus componentes, deverão retornar para as empresas, que darão a destinação ambiental adequada.

O texto também destaca a importância de cooperativas ou associações de catadores de materiais reutilizáveis, que poderão ser beneficiados com linhas de financiamento público. Pela proposta, embalagens deverão ser fabricadas com materiais que propiciem sua reutilização ou reciclagem. Também ficará proibida a importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos.

Ontem, o projeto foi aprovado por quatro comissões do Senado e, horas depois, em votação simbólica no plenário da Casa. Em março, havia passado na Câmara dos Deputados, graças a um acordo de líderes. Agora, para virar lei, precisa ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O texto final é resultado de um longo debate entre Congresso, governo, empresários e ambientalistas, que começou a tomar forma em 1989.

“Vai mudar da noite para o dia? Não, porque é um trabalho de conscientização, em que todos vão estar comprometidos a obedecer a uma legislação”, comentou o senador César Borges (PR-BA), relator do projeto em três comissões.

Avanço. Para a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, que compareceu ao Senado para acompanhar a votação, os resíduos sólidos são o maior problema ambiental do País.

Em sua avaliação, o projeto institucionaliza a reciclagem dentro da cadeia produtiva nacional. “É possível reciclar, lucrar, ter estratégias de gestão moderna, ganhar dinheiro com impostos e com tecnologia de equipamentos.”

A aprovação da lei nacional também foi comemorada por empresários ligados ao setor de coleta e destinação do lixo.

De acordo com Carlos Roberto Vieira Filho, diretor da Abrelpe, entidade que reúne as empresas de tratamento de resíduos, a aprovação da lei vai combater a informalidade no setor. “Hoje, 43% dos resíduos coletados no País têm destino inadequado. A lei trará a modernização do tratamento do lixo no País”, afirma.

Segundo ele, um dos principais avanços que a lei trará é a implementação da logística reversa, especialmente para itens como eletroeletrônicos ao fim de sua vida útil. “A lei coloca o Brasil em uma posição avançada. A logística reversa segue o mesmo princípio das diretivas europeias para lixo eletrônico.”

Na avaliação de Fernando Von Zuben, diretor de meio ambiente da fabricante de embalagens Tetra Pak, outro ponto positivo da lei é a criminalização dos lixões, que incentivará investimentos em novas tecnologias para tratar o lixo. “Não teremos mais só aterros, mas também mais coleta seletiva, reciclagem e incineração dos resíduos”, diz.

A proposta:

Lixões
Proíbe o lançamento de resíduos sólidos ou rejeitos a céu aberto – os lixões.

Habitações
Proíbe nas áreas de disposição final de resíduos ou rejeitos a fixação de habitações temporárias ou permanentes.

Importação
Proíbe a importação de resíduos sólidos perigosos e rejeitos.

Incentivos
União, Estados e municípios poderão conceder incentivos fiscais e financeiros para indústrias e entidades dedicadas a tratar e reciclar os resíduos.

Financiamento
O poder público poderá instituir linhas de financiamento para cooperativas ou associações de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis, formadas por pessoas de baixa renda.

Plano de gestão
União, Estados e municípios deverão fazer planos integrados de resíduos sólidos, com diagnóstico da situação, metas de redução de lixo e reciclagem e ações para atingir os objetivos.

Logística reversa
Fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes terão de dar destinação adequada aos produtos que fabricaram, após o uso pelo consumidor.

Resolução indica que resíduos sólidos serão responsabilidade dos fabricantes

Fonte: EPTV

Uma resolução da Secretaria do Meio Ambiente de São Paulo (SMA), publicada último dia 30, ratifica o resultado da Política Estadual de Resíduos Sólidos, Lei nº 12.300, aprovada em 2006. Com ela, os produtos que gerem resíduos sólidos de significativo impacto no meio ambiente serão de responsabilidade de seus fabricantes.

Em outras palavras: as embalagens, jogadas aleatoriamente em lixões (muitas vezes até clandestinos) deverão ser recolhidas e destinadas adequadamente pelas empresas responsáveis pela sua fabricação, distribuição e importação.

Os fabricantes, distribuidores ou importadores dos produtos (filtros de óleo lubrificante automotivo; embalagens de óleo lubrificante automotivo; lâmpadas fluorescentes; baterias automotivas; pneus; e produtos eletroeletrônicos) e embalagens primárias, secundárias e terciárias (de alimentos e bebidas, produtos de higiene pessoal, produtos de limpeza e bens de consumo duráveis) ficam obrigados a criar postos de entrega voluntária no pós-consumo, orientar os consumidores quanto à necessidade de devolução dos resíduos, cumprir metas de recolhimento e declarar a quantidade de produtos listados produzidos, de resíduos recolhidos e sua destinação no Sistema Declaratório Anual de Resíduos Sólidos.

Até o dia 31 de dezembro deste ano, a Comissão Estadual de Resíduos Sólidos, junto com os setores empresariais responsáveis, estabelecerá metas de recolhimento para os produtos. Quem não cumprir as metas poderá ser multado pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), em valores ainda a serem definidos.

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