Atitude Eco – Ativismo e sustentabilidade

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Apresentação da Associação Brasileira de Profissionais de Sustentabilidade (ABRAPROSUS)

Ontem, dia 21/2/2011, foi o lançamento da Associação Brasileira de Profissionais de Sustentabilidade, uma iniciativa genial, mais do que esperada por esses profissionais. Durante um curso de sustentabilidade empresarial conheci o Marcus Nakagawa, idealizador da Associação e hub desse movimento.

O auditório, mesmo após uma chuva que parou a cidade de São Paulo, contou com quase 200 pessoas presentes, além de tantos outro que estavam assistindo a apresentação online. Muitas das pessoas que participaram do embrião da Associação ficaram supressos pela repercussão. Realmente é um movimento que tem tudo para dar certo.

Visita a fábrica da Pepsico

Dia 6/12 fui convidado para fazer uma visita a fábrica de salgadinhos da Pepsico junto a outros tantos blogueiros, muitos dos quais admiro e acompanho o trabalho. Estavam lá: @samegui @gnsbrasil @educaja (@cybelemeyer) @evandrocesar @sustentabilizar @maitelemos @aquinacozinha @blogdati @marciaceschini @cozinhapequena @fabioallves @mabegalli @mundodastribos @lidifaria @tuliomalaspina @vanerodrigues @virts e @sustentavel20 (@alinekelly), esqueci alguém ou linkei para url errada?

Visita Pepsico

Foto: @fabioallves

Demorei a escrever esse post pois precisei de tempo para pensar sobre toda a informação que nos foi dada, além de esperar pelos comentários dos outros companheiros que estiveram por lá e que, sem dúvida, contribuíram para o fechamento dessas conclusões. Os outros blogs que já escreveram suas impressões foram: Bikini.veredas, Oras blog!, Sustentabilidade Corporativa, Pare o Mundo, Sustentável 2.0. Alguém mais que estou deixando de fora?

Para começar, é obvio que estamos falando de uma mega corporação que vende produtos industrializados com baixo valor nutritivo, ou seja, seu business por si só não é nada sustentável. Então por que os blogueiros foram convidados para conversar com a equipe de sustentabilidade da Pepsico?

Por que eles estão fazendo um trabalho honesto e querem divulgação opinativa, sem medo.

É claro que o fato de você conseguir produzir e administrar sustentavelmente não exclui ou diminui os outros danos relacionados a empresa. Portanto, toda conquista é pouca.

Outro fato importante é que nós fomos apresentados ao projeto pela própria coordenadora, a engenheira Andreza Moleiro Araujo, fica fácil de perceber a paixão dela pelo que faz, mas difícil de saber quanto é paixão e quanto é realidade.

Outra ressalva é que o encontro foi rápido, e não foi possível conhecer todas as ações que a empresa faz, portanto faço um relato genérico do que tivemos contato.

sustentabilidade pepsico

Foto: @fabioallves

O que a empresa está fazendo de bom:

  • Tem buscado a integração e participação de todos os funcionários em torno da sustentabilidade.
  • Tem buscado fornecedores que atendam a políticas que estejam de acordo com as da Pepsico.
  • Modernizou ao máximo sua fábrica para torná-la menos impactante ao meio ambiente.
  • Promovem ações de coleta dos resíduos de embalagens.
  • Neutralizam as emissões.
  • Atende as normas de segurança e saúde.

O que a empresa ainda pode fazer para melhorar:

  • O gerente da fábrica nos informou que: “é possível que parte dos produtos fornecidos tenha procedência transgênica“. Pessoalmente, acho uma falácia dizer que uma empresa como a Pepsico não tem poder de barganha o suficiente para exigir um controle de qualidade que ateste que o fornecimento dessas matérias primas esteja de acordo. Esse controle é possível de ser feito e deve ser levado em conta.
  • Informação não custa nada e é um direito do consumidor. As embalagens devem conter informações sobre os possíveis danos a saúde que o consumo excessivo pode causar e também quanto ao destino do valor pago pelo produto, demonstrando ao consumidor que desse produto de R$5,00, R$1,30 foram em impostos, R$1,50 em publicidade, R$0,70 administrativo, etc.
  • São apenas 16 fornecedores aqui no Brasil. Pelo visto, grandes latifúndios. Seria interessante começar uma ação de estímulo ao pequeno agricultor, e aos poucos capacitando-os para fornecer o produto com a qualidade necessária. É uma ação que estimula o crescimento do país, diminui a pobreza e melhora a relação da empresa-fornecedor.
  • Convidar outras pessoas, de segmentos mais especializados, como acadêmicos, ongs, consultorias, etc. que possam fornecer um feedback mais qualificado sobre cada uma das ações, propondo soluções e outras possibilidades dentro daquilo que já está sendo feito.
  • Maior participação nas questões de governança do país. Uma empresa desse porte tem que participar abertamente, sem lobby, de movimentos como a política de resíduos sólidos ou pela regulamentação da publicidade de alimentos não saudáveis. Pode parecer um tiro no pé, mas de uma forma ou de outra essas exigências da sociedade deverão ser incorporadas pelas empresas.
  • Como a ação acima, buscar maior pró atividade e visão de futuro. As ações que estão feitas são ótimas e contemplam a realidade da primeira década do século XXI, mas esse olhar deve estar mais atento aos rumos que a sociedade está tomando. Lembre-se: Você é uma indústria de alimentos, não uma indústria de salgadinhos.
  • Dentro da visão de futuro, buscar uma nova relação administrativa, que valorize e  distribua melhor os recursos da empresa. Acredito muito na reavaliação dos organogramas, folhas de pagamento e carga horária para melhora da qualidade de vida dos trabalhadores.
Fábrica Pepsico

Foto: @fabioallves

E para finalizar, quero deixar um recado.

As mega corporações, que até ontem eram administradas por velhos engravatados machistas,

Tulio Malaspina

Eu! (@tuliomalaspina) Foto: @fabioallves

ainda carregam muito da cultura industrial. Mas as coisas começam a mudar e, criminalizar e vetar qualquer tipo de colaboração com esses grandes hubs é tão arcaico quanto o velho machista. Uma empresa que emprega duas mil pessoas em uma só fábrica tem um papel social grande, e pode ser ainda maior se estiver aberta à população. Mas a população também deve estar disposta a colaborar. Bater é fácil, crescer junto tem custo.

A sustentabilidade não é um ponto de chegada, é uma forma de caminhar, e todos estamos tentando caminhar da melhor forma possível, cada qual com suas demandas, uns fumam mas são vegetarianos, outros comem carne mas só andam de bike. Assim como na nossa vida, as empresas também têm essas dificuldades. O poder dessas corporações é gigantesco e é possível fazer com que esse poder seja direcionado a causas importantes para a sociedade.

Quando falamos de corporações, muitas vezes esquecemos que o que faz uma empresa são pessoas, que comem, bebem, tem doenças e crises, filhos, tios, pais e mães, fumam, bebem, batem o carro e também tem uma causa, seja religiosa, seja ambientalista, seja política. O que nós precisamos é de gente com princípios dentro dessas empresas.

Fica ai minha humilde observação dessa experiência. Espero que possa colaborar com tantas outras e que outras pessoas, que ainda não observam a possibilidade de colaboração entre os principais vetores da sociedade, possam acreditar numa relação mais humana.

Poluição de São Paulo 26/8/2010

Meu primo, André, me enviou umas fotos da cidade de São Paulo para demonstrar como a situação da poluição está complicada.
O jornal Metro de hoje tem uma matéria falando sobre o assunto e afirma que a humidade do ar chegou a 13%, marca próxima a do deserto do Saara.
Segundo Davi Franzon, do jornal Metro, “A Defesa Civil decretou estado de alerta e afirmou que, caso o índice de humidade caia para 12%, será decretada situação de emergência, prevendo a suspensão das aulas e de eventos que resultem em aglomerações.”
Vejam as fotos:

São Paulo, 26/8/2010

São Paulo, 26/8/2010

São Paulo, 26/8/2010

São Paulo, 26/8/2010

Ações no âmbito empresarial e político para construir uma sociedade responsável social e ambientalmente

Muitas empresas falam sobre a sustentabilidade e suas ações sociais, e temos a impressão de que muito está sendo feito nessa esfera. Porém, se observarmos o caminho que temos pela frente, vemos que não estamos nem mesmo engatinhando. Temos uma sociedade superficialmente ecológica, mas o “corebusiness” ou coração do negócio ainda é feito de rocha dura. Juntando alguns textos que andei lendo, decidi escrever aqui algumas das ações que acho imprescindíveis no âmbito empresarial para uma sociedade mais responsável.

Redução de impostos: Sem dúvida o estimulo por parte dos órgãos públicos é de suma importância para que as empresas venham a aderir ações que de fato levem a um resultado positivo para a sociedade, criando políticas de incentivo a responsabilidade sócio ambiental por meio da redução de impostos. Já que temos redução do IPI para automóveis, por que não para produtos ecológicos?

Financiamentos responsáveis: Empresas bancárias que se dizem sustentáveis devem, indiscutivelmente, tomar conhecimento e responsabilidade sob as empresas as quais estão financiando. É preciso vetar o incentivo financeiro para empresas que não tenham visão responsável, criando uma nova comunidade empresarial, mais verdadeira, mais responsável, mais social. O banco que faz financiamento irresponsável é também responsável pela degradação que esse terceiro causou.

Comunicação e benchmarking: O benchmarking é, segundo Marilena Lavorato, coordenadora do programa benchmarking, “Uma ferramenta de gestão que tem por premissa aprender com os melhores, e tem como metodologia reunir e compartilhar experiências bem-sucedidas que promoveram melhorias e avanços nos processos organizacionais.”. Portanto, é preciso mudar a cultura individualista e competitiva das empresas, criando uma comunicação efetiva das ações que tiveram bons resultados e, assim, facilitando a integração da sustentabilidade no âmbito empresarial. Na sustentabilidade, a difusão dos conhecimentos entre as partes para aplicação de melhorias é uma prática por si só responsável. Como apontado por Cláudio Andrade, que trabalha com responsabilidade social empresarial com foco para educação e comunicação corporativa, “Falta o avanço na prática da cooperação e materialização de soluções em conjunto.”

Relações com stakeholders: Os stakeholders são, no âmbito empresarial, todos aqueles públicos, sejam pessoas físicas ou jurídicas, que possuem algum tipo de influência ou relacionamento com determinada empresa. Quem conhece um pouquinho sobre a cadeia de produção dos bens de consumo sabe que aplicar a sustentabilidade é algo complexo e que exige muito mais do que manter seu jardim limpo. Algumas empresas chegam a ter centenas de fornecedores, que por sua vez também possuem outra dezena de fornecedores, e a coisa vai se complicando a cada nível da produção. Porém, é muito importante que as empresas saibam quem são seus públicos de interesse, quem são seus fornecedores e como eles trabalham, bem como os fornecedores dos fornecedores, assim por diante. A obrigação é da empresa de saber de onde vem a sua matéria prima e se os processos de extração, produção e distribuição respeitam a visão adotada pela empresa. É uma questão de princípios que influencia na produtividade: Você trabalha melhor com pessoas que gosta, certo?

Educação: Um dos princípios básicos para qualquer sociedade que se diga responsável e preocupada com a solução de problemas de segurança, saúde, transporte, habitação, consumo, política, etc. Como citado por Cláudio Andrade, “Um Estado onde a educação é alvo de investimento, a sociedade tende a funcionar melhor, especialmente no âmbito da ética, da justiça e da soberania do povo.”. Conversando com alguns amigos, percebi que grande parte dos cursos universitários ainda não tomaram a iniciativa de ministrar aulas de sustentabilidade. Apesar da grande publicidade positiva e assuntos relacionados ao tema, vemos que até mesmo as instituições (universidades) que deveriam estar sempre à frente do movimento social não compreenderam a real necessidade da abordagem do assunto. Como podemos formar arquitetos sem ensinar-lhes bio-arquitetura? Publicitários que não sabem o que é responsabilidade sócio ambiental? Engenheiros que nunca ouviram falar sobre tecnologia intuitiva? Me deixa intrigado como as universidades estão engessadas e paralisadas. “Nossa educação é feita em escolas do século XIX, com professores do século XX e alunos do século XXI”

Descartável/Durável: A arquitetura, engenharia e design são profissões que tem tudo haver com a sustentabilidade, dado que estes profissionais tem como fardo (queira ou não) a criação de produtos que atendam as necessidades das sociedades futuras. São essas pessoas que vão criar os produtos que poderão ser descartáveis ou duráveis e que terão impacto direto na produção e consumo da sociedade. Um produto bem sucedido é aquele que foi pensando em todo seu ciclo de vida, desde a produção até o descarte, buscando resultados positivos dentro e fora dessa cadeia. As pesquisas de desenvolvimento e inovação devem estar voltadas para esse futuro.

Certificações e selos: Certamente irão surgir novas certificações e novos selos ecológicos para todo tipo de produto, e tomara que estes trabalhem em conjunto para evitar a compra de concessões e a corrupção, males que estão profundamente inseridos na nossa sociedade. Infelizmente, essas são as únicas ferramentas que nós consumidores temos para se certificar sobre o tipo de responsabilidade que determinada empresa aplica, e é uma necessidade, já que grande parte das empresas embarcaram nessa moda para gerar publicidade positiva. Quem sabe criamos um certificado de políticos? Não é uma má idéia.

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